Cientistas da ETH Zürich no laboratório (Divulgação) Um novo dispositivo vestível e invisível pode estar prestes a revolucionar o diagnóstico de doenças ginecológicas. Cientistas da ETH Zürich, uma das mais renomadas universidades da Europa, apresentaram em maio de 2025, na revista Advanced Science, o MenstruAI — um absorvente descartável equipado com sensores capazes de identificar biomarcadores no sangue menstrual associados a endometriose e câncer de ovário. O avanço promete transformar a rotina ginecológica de milhões de mulheres, especialmente aquelas que enfrentam diagnósticos tardios e exames invasivos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é o MenstruAI e como funciona O MenstruAI é visualmente idêntico a um absorvente comum, mas por dentro, carrega microssensores bioquímicos integrados à malha absorvente. Esses sensores analisam o sangue menstrual em tempo real, detectando padrões moleculares e alterações proteicas associadas a doenças ginecológicas de difícil rastreamento. Conectado a um aplicativo de celular via Bluetooth de baixa frequência, o dispositivo envia dados para análise segura e criptografada. A usuária é notificada caso haja indícios de anormalidades, como: Sinais de inflamação pélvica crônica Presença de biomarcadores tumorais compatíveis com câncer de ovário Alterações que indicam possíveis focos de endometriose “Nossa proposta é transformar o absorvente em uma ferramenta de triagem, que seja prática, indolor e acessível”, disse a professora Dr. Nina Varga, coordenadora da pesquisa na ETH Zürich, durante conferência de apresentação. Avanço promissor no rastreamento de doenças ginecológicas Tanto o câncer de ovário quanto a endometriose são doenças de diagnóstico difícil. O câncer de ovário é silencioso em estágios iniciais e costuma ser descoberto tardiamente. Já a endometriose leva, em média, de 7 a 10 anos para ser diagnosticada, muitas vezes com exames caros ou cirurgias exploratórias. O diferencial do MenstruAI está na coleta passiva e natural de fluido menstrual, um material rico em informações sobre a saúde do sistema reprodutivo — mas historicamente subaproveitado na medicina diagnóstica. Com essa tecnologia, os pesquisadores buscam tornar o rastreamento ginecológico mais acessível e contínuo, com base em dados biológicos reais, colhidos no próprio ambiente de intimidade da paciente. Discrição, privacidade e empoderamento Além de ser totalmente discreto, o absorvente com sensores preserva a privacidade da paciente: os dados são armazenados localmente no app e enviados ao servidor somente mediante autorização. Caso a usuária deseje, os resultados podem ser compartilhados com ginecologistas ou clínicas diretamente por meio da plataforma. O projeto também foi pensado para democratizar o acesso ao diagnóstico precoce, principalmente em regiões com difícil acesso a exames ginecológicos. “Trata-se de um avanço não só tecnológico, mas social. Estamos devolvendo o poder de monitoramento à mulher, com autonomia, sem dor, sem constrangimento”, destacou Varga. Próximos passos e previsão de lançamento O MenstruAI está atualmente em fase avançada de testes clínicos com voluntárias em centros de pesquisa da Suíça e Alemanha. Os primeiros resultados são promissores e indicam taxas de acerto acima de 92% para detecção precoce de alterações compatíveis com endometriose. A previsão é que o produto esteja disponível para uso comercial entre o fim de 2026 e o início de 2027, com parcerias sendo negociadas com marcas internacionais de higiene feminina. O futuro da saúde feminina passa pelo sangue menstrual Por muito tempo, o sangue menstrual foi tratado como tabu — invisibilizado até mesmo pela ciência. Agora, com tecnologias como o MenstruAI, ele ganha novo status: o de matéria-prima essencial para o cuidado preventivo e personalizado da saúde ginecológica. A aposta é que, nos próximos anos, mais dispositivos wearables voltados ao ciclo menstrual surjam, permitindo que o corpo feminino seja monitorado com respeito, ciência e inovação.