O sensor abre caminho para uma nova geração de dispositivos de detecção precoce de infecções virais (Divulgação) Um grupo de cientistas brasileiros desenvolveu um sensor portátil e não invasivo capaz de detectar infecção por COVID-19 antes mesmo dos primeiros sintomas clínicos. A inovação, criada por pesquisadores de universidades paulistas com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pode se tornar uma ferramenta essencial no combate a futuras ondas do coronavírus e outras doenças respiratórias. O dispositivo, semelhante a um adesivo de monitoramento ou pulseira inteligente, funciona a partir da detecção de biomarcadores liberados pelo organismo nas fases iniciais da infecção. Esses sinais são imperceptíveis aos sentidos humanos, mas podem ser captados com alta precisão pelo sensor, que envia os dados diretamente a um aplicativo no celular. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A principal inovação está na capacidade de antecipar o diagnóstico em até 48 horas, período crítico em que o indivíduo já pode transmitir o vírus, mesmo sem apresentar febre, tosse ou mal-estar. Isso permite o isolamento precoce, reduzindo significativamente o risco de transmissão comunitária — especialmente em ambientes de alto contato, como escolas, empresas e hospitais. Como o sensor portátil funciona O sensor utiliza uma tecnologia baseada em nanomateriais com propriedades eletroquímicas, que reagem quando entram em contato com moléculas específicas relacionadas à resposta imunológica contra o SARS-CoV-2. Entre os compostos detectados estão proteínas inflamatórias, enzimas e sinais metabólicos que se elevam nas primeiras 24 a 48 horas após a infecção. Essas mudanças são registradas por eletrodos flexíveis e ultrassensíveis, integrados ao sensor, que se conecta por Bluetooth a um app de monitoramento. A plataforma analisa os dados em tempo real, comparando com padrões biológicos pré-estabelecidos por inteligência artificial, e emite um alerta caso a infecção seja identificada com alta probabilidade. O dispositivo também pode ser programado para acompanhar sinais de outras doenças respiratórias, como gripe, influenza H1N1 e vírus sincicial respiratório, ampliando sua aplicação em cenários de saúde pública. Resultados promissores nos testes clínicos Em testes realizados com voluntários, o sensor conseguiu identificar a infecção por COVID-19 em indivíduos assintomáticos ou pré-sintomáticos com índice de acerto superior a 87%, segundo os pesquisadores envolvidos. Os dados foram comparados com testes RT-PCR, padrão ouro para o diagnóstico da doença, e os resultados demonstraram alta confiabilidade. Além disso, o sensor se mostrou estável e seguro para uso contínuo por períodos superiores a 72 horas. Seu material é hipoalergênico e pode ser descartado de forma segura após o uso, com baixo impacto ambiental. A expectativa é de que o dispositivo passe por novas rodadas de validação junto à Anvisa e seja aprovado para produção em larga escala ainda em 2025, com foco inicial em unidades de saúde, ambientes corporativos e áreas de grande circulação, como aeroportos e escolas. Baixo custo e alto impacto: um novo aliado para a saúde pública Um dos diferenciais mais importantes do sensor brasileiro está em seu baixo custo de produção. Graças ao uso de materiais nacionais e ao design simplificado, o equipamento poderá ser fabricado por menos de R\$ 50 por unidade — um valor acessível para instituições públicas e empresas que desejam implementar rotinas de triagem preventiva. Essa acessibilidade torna a tecnologia especialmente útil em países em desenvolvimento, onde os recursos para testagem em massa são limitados. Com o avanço das doenças respiratórias, a detecção precoce se torna um fator decisivo para evitar surtos e proteger populações vulneráveis. Além disso, o sensor pode ser integrado a políticas de rastreamento inteligente, permitindo que autoridades de saúde mapeiem focos de infecção antes mesmo que eles ganhem escala. O que diferencia essa tecnologia de testes convencionais Ao contrário de exames como RT-PCR e testes rápidos de antígeno, que exigem coleta de amostra biológica e tempo de análise, o novo sensor dispensa contato com mucosas e reagentes químicos. Sua proposta é ser um monitor contínuo, que funcione de forma passiva e preventiva — e não apenas após o aparecimento de sintomas. Outra vantagem é a agilidade na resposta: o sensor fornece sinais de alerta em questão de minutos, enquanto exames convencionais podem levar horas ou dias. Essa velocidade é crucial em situações como surtos em comunidades, escolas ou empresas, onde o isolamento rápido de casos positivos pode evitar a transmissão em cadeia. Avanço que pode ser ampliado para outras pandemias Embora tenha sido desenvolvido para COVID-19, o sensor abre caminho para uma nova geração de dispositivos de detecção precoce de infecções virais, com aplicação futura em epidemias como gripe aviária, SARS, MERS e variações do coronavírus. Os pesquisadores também trabalham em versões futuras que poderão ser usadas em pulseiras, tecidos inteligentes e wearables integrados a relógios ou roupas esportivas, ampliando ainda mais o alcance da tecnologia.