(Adobe Stock) No filme O Homem Bicentenário, Andrew Martin, interpretado por Robin Williams, é um robô doméstico adquirido por uma família americana, que desenvolve criatividade, emoções e o desejo de tornar-se humano. Pois humanos e robôs nunca estiveram tão próximos. Prova disso é a disseminação de humanoides, projetados para se parecerem e agirem como pessoas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os robôs impressionam por seu uso, desde como despachantes de bagagem em aeroportos japoneses até a grande aposta da Tesla em seu Optimus. “O que chama atenção não é só a escala de produção, mas a velocidade com que isso está saindo do laboratório e entrando na vida real. Para Santos, isso tem um significado muito concreto. Temos o maior porto do Hemisfério Sul, que está sempre se modernizando para continuar competitivo, e temos uma população que envelhece rápido, que precisa de soluções de cuidado”, afirma o presidente do Parque Tecnológico de Santos, Eduardo Bittencourt. Para ele, os robôs humanoides já estão sendo testados no mundo para essas duas coisas: operar em ambientes de risco dentro de terminais portuários e auxiliar idosos no dia a dia. “O Parque Tecnológico está no meio dessas duas agendas, dialogando com a Autoridade Portuária (APS) e operando programas de longevidade”, explica. No Brasil O coordenador do curso de Inteligência Artificial da Unisanta, Luis Fernando Bueno Mauá, lembra que, embora ainda esteja atrás de países como China, Estados Unidos e Japão, o Brasil já possui robôs humanoides em operação. Um dos principais exemplos é o 14-Bis, considerado o primeiro humanoide desenvolvido integralmente por um brasileiro. Criado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o equipamento possui recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, e vem sendo utilizado em atividades de ensino de robótica, programação e inteligência artificial. Além disso, na última semana, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) fez uma visita institucional à Salcomp Industrial Eletrônica da Amazônia. No horizonte da companhia, está o projeto de trazer a fabricação de robôs humanoides para o Polo Industrial de Manaus (PIM). Já Bittencourt entende que o Brasil talvez não vá fabricar humanoides no curto prazo, mas pode e deve formar as pessoas que vão programá-los, adaptá-los e colocá-los para funcionar na nossa realidade. “Santos tem as condições para ser esse lugar: a demanda real existe, enquanto a infraestrutura e políticas de inovação estão cada vez mais maduras”, sustenta. Força chinesa Enquanto isso, a China comanda com folga o segmento. “A liderança está diretamente ligada à estratégia do governo de transformar o país na principal potência tecnológica do século 21”, constata Mauá. Ele entende que, para Pequim, os robôs humanoides representam muito mais do que máquinas capazes de andar ou executar tarefas simples; eles são considerados uma das chamadas “novas forças produtivas”, conceito utilizado pelo governo chinês para definir as tecnologias que irão impulsionar a próxima revolução industrial. “Recentemente, a China criou ainda um fundo específico de 100 bilhões de yuans (R\$ 74 bilhões) voltado à chamada ‘inteligência embarcada’, que combina inteligência artificial e sistemas físicos, como robôs humanoides. Além disso, lançou um sistema nacional de padronização para toda a cadeia produtiva da robótica, envolvendo universidades, centros de pesquisa e empresas privadas”, acrescenta. Robôs produzem robôs A China deu um novo passo na automação industrial ao inaugurar, em março, sua primeira fábrica em que robôs atuam diretamente na fabricação de outros robôs. Instalada na cidade de Foshan, na província de Guangdong, tem capacidade para produzir até 10 mil robôs por ano. A planta conta com uma linha totalmente automatizada, capaz de concluir uma nova unidade a cada 30 minutos.