Segundo o Ministério da Saúde, o ceratocone é considerado a principal causa do transplante de córnea do Brasil, acometendo cerca de 150 mil brasileiros por ano. O diagnóstico mais frequente é entre os 10 e 25 anos. A doença afeta a córnea e pode causar perda importante da qualidade visual quando não diagnosticada e tratada precocemente. O médico oftalmologista e presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco, explica que é preciso estar atento aos sinais da doença. “O quanto antes identificarmos a doença, podemos aplicar tratamentos capazes de evitar a progressão e preservar a visão”, destaca. A doença ocorre quando a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho, torna-se progressivamente mais fina e assume um formato semelhante ao de um cone. “Essa alteração provoca distorções visuais, aumento do astigmatismo e da miopia, tornando a visão progressivamente borrada e irregular”, explica o oftalmologista. De acordo com Leiser, existe uma predisposição genética para o desenvolvimento do ceratocone, sendo mais comum em pessoas que possuem familiares com a doença. Além disso, alergias oculares, rinite, dermatite atópica e o hábito frequente de coçar os olhos estão entre os principais fatores ao problema. “O ato de coçar os olhos é um dos fatores mais importantes relacionados à progressão do ceratocone. O trauma mecânico repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a doença”, alerta. Entre os principais sintomas estão visão embaçada, aumento frequente do grau dos óculos, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz, visão dupla em um dos olhos e imagens distorcidas. Em muitos casos, o paciente percebe que os óculos deixam de proporcionar boa visão mesmo após várias trocas de lentes. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico é realizado por meio de exames oftalmológicos específicos capazes de identificar alterações precoces da córnea. Tecnologias como a topografia e a tomografia corneana permitem detectar a doença muitas vezes antes mesmo do surgimento de sintomas mais evidentes. A identificação precoce faz diferença direta no tratamento. “Atualmente dispomos de tratamentos capazes de interromper ou retardar significativamente a progressão da doença, como o crosslinking corneano. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de preservar a visão”, afirma o especialista. O tratamento varia de acordo com o estágio da doença. Nos casos leves e moderados, o uso de óculos e lentes de contato especiais pode proporcionar boa qualidade visual. Já os procedimentos cirúrgicos buscam estabilizar a doença e regularizar a deformação da córnea. Em situações avançadas, o transplante de córnea pode ser necessário para restabelecer a visão. O que é? O ceratocone é uma doença que provoca o afinamento progressivo da córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho. Com isso, a córnea passa a assumir um formato semelhante ao de um cone, causando distorções visuais, aumento da miopia e do astigmatismo e comprometendo a qualidade da visão. Sinais de alerta Visão embaçada: perda de nitidez, os objetos parecerem mais desfocados Aumento do grau: mudanças na receita dos óculos podem indicar progressão da doença Dificuldade para enxergar à noite: a visão em ambientes escuros torna-se mais difícil, principalmente ao dirigir Sensibilidade à luz: luzes fortes podem causar ofuscamento Visão dupla: o paciente enxerga imagens duplicadas em apenas um dos olhos Imagens distorcidas: linhas retas podem parecer tortas e os objetos ficam deformados Diagnóstico É feito por meio de exames oftalmológicos específicos, como a topografia e a tomografia corneana, capazes de identificar alterações precoces da córnea. A detecção precoce permite iniciar o tratamento antes que a doença avance. Tratamento Nos casos leves e moderados, óculos e lentes de contato especiais podem proporcionar boa qualidade visual. Procedimentos cirúrgicos buscam estabilizar a doença e regularizar a deformação da córnea, enquanto os casos mais avançados podem exigir transplante de córnea. Fator genético O ceratocone é mais comum em pessoas com familiares que têm a doença. Alergias oculares, rinite, dermatite atópica e, principalmente, o hábito de coçar os olhos estão entre os fatores associados à progressão do problema. Prevenção Alguns cuidados podem reduzir os riscos: Controlar adequadamente alergias oculares Não coçar os olhos Manter consultas oftalmológicas regulares Redobrar a atenção em crianças, adolescentes e pessoas com histórico familiar da doença