O uso da tecnologia tem ajudado a diagnosticar casos e, consequentemente, aumenta as chances de cura (Divulgação / Freepik) O câncer continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023-2025, o país deve registrar mais de 704 mil novos casos por ano, com destaque para os tumores de pele, mama, próstata, cólon e reto e pulmão. A boa notícia é que, paralelamente ao aumento da incidência, também estão surgindo avanços importantes no diagnóstico precoce, fator crucial para o sucesso do tratamento e a sobrevida dos pacientes. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com base nos dados do INCA, os tipos de câncer com maior incidência estimada são: Câncer de pele não melanoma: É o mais frequente no Brasil, representando cerca de 31% de todos os casos. Apesar de sua alta incidência, tem baixo índice de mortalidade se tratado precocemente. Câncer de mama (feminino): Estima-se mais de 73 mil casos por ano. É o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras e um dos principais alvos das campanhas de rastreamento. Câncer de próstata: Com mais de 71 mil novos casos estimados por ano, é o mais comum entre os homens e tende a crescer com o envelhecimento da população. Câncer de cólon e reto (colorretal): Um dos que mais crescem no país, com cerca de 45 mil casos por ano. A alimentação inadequada e o sedentarismo são fatores de risco importantes. Câncer de pulmão: Embora menos frequente, tem alta letalidade e relação direta com o tabagismo. Estima-se mais de 17 mil casos por ano no Brasil. Avanços no diagnóstico precoce: mais chances de cura A medicina tem avançado significativamente no rastreamento de tumores em estágios iniciais, com destaque para tecnologias de inteligência artificial (IA), biópsias líquidas, e testes genéticos personalizados. Ferramentas de IA (Inteligência Artifical): têm sido utilizadas para analisar exames de imagem com mais precisão, especialmente em mamografias, colonoscopias e tomografias de tórax. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, algoritmos treinados já conseguem identificar lesões suspeitas com até 94% de acerto. Biópsia líquida: Essa técnica inovadora analisa fragmentos de DNA tumoral circulando no sangue, permitindo detectar mutações associadas ao câncer sem necessidade de procedimentos invasivos. O método vem sendo usado em centros como o A.C. Camargo Cancer Center e o Hospital de Amor (Barretos). Testes genéticos e medicina personalizada: A análise genética tem permitido não só detectar riscos hereditários (como em casos de mutações BRCA1 e BRCA2), mas também direcionar tratamentos mais eficazes e menos agressivos ao paciente. Consciência e prevenção ainda são as melhores armas Apesar dos avanços, a prevenção segue como a principal ferramenta contra o câncer. O INCA e o Ministério da Saúde reforçam que hábitos saudáveis — como alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, não fumar e evitar exposição solar excessiva — podem reduzir em até 30% o risco de desenvolver a doença. Além disso, a adesão aos exames de rotina continua essencial. Mamografia, colonoscopia, exames de PSA e Papanicolau são exemplos de procedimentos simples que podem salvar vidas quando realizados com regularidade. Conclusão O cenário do câncer no Brasil impõe desafios, mas também abre portas para a esperança. Com diagnósticos mais rápidos e precisos, o caminho para o tratamento eficaz está cada vez mais acessível. A combinação entre tecnologia, informação e prevenção é, hoje, o maior aliado da luta contra a doença. Falar sobre câncer não é mais tabu — é uma necessidade urgente para salvar vidas.