(Imagem gerada por IA e Adobe Stock) Um novo comprimido ajudou pessoas com câncer de pâncreas avançado a viverem mais tempo, aumentando as esperanças de melhor tratamento para um dos tipos de câncer mais letais. “Embora não cure o câncer, é um grande avanço”, diz Zev Wainberg, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que ajudou a liderar o estudo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O medicamento chama-se daraxonrasib e bloqueia uma proteína mutante que alimenta o crescimento tumoral em mais de 90% dos casos – um alvo que, por décadas, escapou ao tratamento. O estudo atribuiu aleatoriamente o medicamento experimental ou mais quimioterapia a 500 pacientes cujo câncer metastático havia parado de responder ao tratamento anterior. Os participantes que receberam o comprimido diário apresentaram quase o dobro do tempo de sobrevida, com menos efeitos colaterais graves. Os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine. Benefício significativo “Trato pacientes com câncer de pâncreas há 16 anos e cheguei a chorar ao ver os resultados do estudo pela primeira vez”, conta Rachna Shroff, do Centro de Câncer da Universidade do Arizona. Ela ficou impressionada com o fato de que “os pacientes continuavam com o tratamento porque ele lhes proporcionava um benefício duradouro e significativo”. Os efeitos dos comprimidos eventualmente diminuem, mas os pacientes utilizaram o daraxonrasib por um período significativamente maior do que o grupo que permaneceu em quimioterapia, relatando menos dor e melhor qualidade de vida, à medida que os tumores diminuíam. Novo padrão Brian Wolpin, do Instituto de Câncer Dana-Farber, afirmou que o medicamento deve se tornar “um novo padrão de tratamento” para o câncer de pâncreas metastático previamente tratado, acrescentando que os pesquisadores também explorarão o uso em estágios precoces da doença, inclusive para verificar se a redução do tumor pode permitir que mais pacientes se tornem elegíveis para cirurgia. Segundo ele, os efeitos colaterais mais prováveis do uso do comprimido são erupções cutâneas, por vezes graves, e feridas na boca. A Revolution Medicines financiou o estudo e a Food and Drug Administration (FDA, agência norte-americana semelhante à Anvisa) planeja acelerar a análise do medicamento. Enquanto isso, a agência está permitindo o chamado ‘acesso expandido’ ao medicamento experimental para pacientes que atendam a certos critérios. Detalhes Os pacientes que tomaram daraxonrasib viveram, em média, 13,2 meses, em comparação com 6,7 meses entre os que receberam quimioterapia. Embora isso possa parecer uma pequena melhora, Wainberg afirma que é o primeiro medicamento a demonstrar uma vantagem substancial sobre a quimioterapia. O novo medicamento tem como alvo mutações na família dos genes RAS, que normalmente regulam o crescimento celular. As chamadas mutações KRAS são especialmente críticas para o desenvolvimento do câncer pancreático. Mas uma estrutura que dificultava a ligação dos medicamentos às proteínas mutantes fez com que esse fator cancerígeno fosse considerado inacessível a medicamentos. Mais letais O câncer de pâncreas está entre os tipos mais letais, em grande parte porque é difícil de detectar antes que comece a se espalhar para outros órgãos. A American Cancer Society estima que 67 mil novos casos serão diagnosticados nos EUA neste ano, e que mais de 52 mil pessoas morrerão em decorrência da doença (no Brasil, o Inca estima 13.240 novos casos em 2026). A taxa de sobrevida global em cinco anos é de 13%.