Nesta terça-feira (28), após acordo entre o governo e o Congresso, a Câmara aprovou projeto que taxa em 20% as compras internacionais de até US\$ 50 dos varejistas on-line asiáticos (Unsplash) Mesmo quem jamais colocou um cigarro na boca sabe a série de problemas que ele representa. Pois, na data que marca o Dia Mundial de Combate ao Fumo, que tem como tema a “proteção das crianças contra a interferência da indústria do tabaco”, o alerta é reforçado. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 85% dos casos de câncer de pulmão têm como principal fator o tabagismo. Para tentar reverter essa situação, o Ministério da Saúde e o Inca lançaram uma campanha de prevenção ao uso de cigarros eletrônicos. Dados do Ministério indicam que crianças e adolescentes que utilizam cigarros eletrônicos têm pelo menos duas vezes mais chances de fumar cigarros em algum momento da vida. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Além disso, a Lei Antifumo, do Governo do Estado, que consistiu na proibição do consumo de cigarro, charutos e demais dispositivos em ambientes total ou parcialmente fechados, de uso público ou privado, completa 15 anos e a política de combate têm atuado para melhorar esse quadro. Mas o caminho ainda é longo. De acordo com relatório de Estimativa de Incidência de Câncer de 2022, do Inca, o número estimado de casos novos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão para o Brasil, para cada ano do triênio 2023/2025, é de 32.560 casos, correspondendo ao risco estimado de 15,06 casos por 100 mil habitantes, sendo 18.020 casos entre os homens e 14.540 casos entre as mulheres. “O tabagismo no país vinha diminuindo, mas voltou a aumentar por conta do cigarro eletrônico e narguilé, que muitas vezes são a porta de entrada para o cigarro convencional. O enfisema como consequência do tabagismo não tem cura, mas tem controle e significativa melhora da qualidade de vida”, afirma o médico especialista em pneumologia, Leonardo Furno Petraglia. No Brasil, estima-se que sejam gastos aproximadamente R\$ 125 bilhões por ano para combater doenças relacionadas ao uso de produtos derivados do tabaco, ainda segundo o Inca. Eletrônico O médico cirurgião especialista em cabeça e pescoço, Rogério Dedivitis, também vê com preocupação o crescimento do cigarro eletrônico, especialmente entre os jovens. “A proposta é oferecer o prazer do cigarro com uma carga de nicotina e efeitos menores. Mas não deve ser considerado “irmão bonzinho” do cigarro. Aquele vapor produzido traz centenas de substâncias que causam câncer, bem como as outros males pulmonares que o cigarro causa, como a Doença Obstrutiva Pulmonar Crônica (DOPC).Você está, na verdade matando com outra arma, mas a mesma munição”, descreve. Ele relata um caso em que a dependência física e psicológica pode chegar a um nível extremo. “Existem pacientes com câncer avançado de laringe, que são operados, e o paciente passa a respirar pelo traqueostoma que é colocado no pescoço. O ar não passa mais pelo nariz e boca. Tem pacientes que, sem a laringe, passam a fumar por aquele buraco. Acendem o cigarro e ficam inalando a fumaça do cigarro”. Fumante Passivo Há casos em que o convício com o cigarro não é direto, mas por intermédio de quem fuma. Esse é o drama que assola os fumantes passivos. “Ele sofre os mesmos danos que quem fuma, e muitas vezes até maiores, pois “fuma sem filtro”. Precisa ser evitado o convívio em locais fechados, devendo o fumante ir a uma área externa”, adverte o pneumologista Leonardo Furno Petraglia. Ele lamenta que a maioria dos fumantes só procura ajuda quando já apresenta diversos sintomas e lesões pulmonares em grau avançado. “O fumante precisa procurar o especialista para saber a condição de seu pulmão, se informar sobre as consequências, e como pode cessar o tabagismo. Existem medicamentos para auxiliar, sendo alguns deles disponibilizados pelo SUS. Quem não fuma, precisa lembrar que todos começaram com “apenas uma tragada” ou “apenas um cigarro” e chegaram à dependência química causada pelo cigarro”, complementa. A Lei Antifumo A Lei Antifumo Paulist(n° 13.541/2009) foi a primeira em nível estadual no País e transformou a cultura do consumo de tabaco no Brasil. Ela foi regulamentada em consonância com o Código de Defesa do Consumidor e o Código Sanitário do Estado de São Paulo. Desde sua aprovação e da efetiva entrada em vigor, em agosto de 2009, o Procon-SP é um dos órgãos que fiscaliza seu cumprimento. De acordo com a coordenação regional do órgão, “nas fiscalizações desse tema realizadas em 2024 em visitas noturnas em bares restaurantes e similares na cidade de Santos não foram constatadas irregularidades”. Política De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde (SES), em janeiro deste ano, foi publicada a Resolução SS-9, instituindo a Política Estadual de Controle do Tabaco. Seu objetivo é “fortalecer as ações de prevenção e tratamento do tabagismo e/ou nicotinismo no Estado por meio da capacitação dos profissionais de saúde, ampliação do acesso ao tratamento do tabagismo no SUS, além de campanhas educativas e de conscientização da população, entre outros itens.