Foto mostra animal brilhando no escuro (Instagram/Benjamin Alldridge) Um animal típico da fauna australiana acaba de revelar um lado literalmente surpreendente. Pela primeira vez, cientistas conseguiram fotografar um quoll oriental, um tipo de marsupial carnívoro, emitindo uma luminosidade azulada sob luz ultravioleta, em plena natureza, na ilha da Tasmânia, ao sul da Austrália. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O flagrante raro foi feito pelo fotógrafo australiano Ben Alldridge, durante uma expedição noturna em áreas de mata nativa no sudoeste da ilha. A imagem, registrada com uso de equipamentos especiais, foi finalista do prêmio Beaker Street Science Photography e está em exposição no Tasmanian Museum and Art Gallery, na cidade de Hobart. Brilho que os olhos humanos não veem O fenômeno captado é chamado de biofluorescência. uma característica rara entre mamíferos, em que a pele ou pelagem do animal absorve luz ultravioleta e reflete outra cor, geralmente azul, verde ou violeta. De acordo com cientistas, esse brilho não é visível a olho nu e só pode ser observado com luzes específicas. A descoberta reforça uma teoria crescente de que muitos mamíferos noturnos podem ter adaptações visuais que envolvem comunicação ou camuflagem invisíveis para nós. Tasmânia: berço do mistério O quoll oriental (espécie Dasyurus viverrinus) é típico da Tasmânia e parente do famoso diabo-da-Tasmânia. Até então, a biofluorescência só havia sido observada em espécimes mortos ou em cativeiro. É a primeira vez que um animal desse tipo é registrado com brilho em seu habitat natural. Além do quoll, outros animais australianos também já demonstraram essa capacidade em estudos anteriores — como ornitorrincos, bandicoots e wombats. Segundo o curador Kenny Travouillon, do Museu de História Natural da Austrália Ocidental, mais de 100 espécies de mamíferos já demonstraram algum grau de fluorescência sob luz UV. O que a ciência ainda quer saber Os cientistas ainda buscam entender por que alguns animais emitem essa luz especial. As hipóteses vão desde comunicação entre indivíduos da mesma espécie até mecanismos de camuflagem noturna, ou mesmo características relacionadas à maturidade e reprodução. Estudos sugerem que esses padrões de luz também podem ajudar o animal a evitar predadores, atrair parceiros ou se orientar no escuro. Onde ver a imagem do “quoll brilhante” A imagem capturada por Ben Alldridge pode ser vista até o fim de agosto no Beaker Street Science Festival, em exibição no museu da capital da Tasmânia. Além da imagem do quoll fluorescente, outras fotos científicas sobre fauna e fenômenos naturais estão sendo exibidas como parte de um projeto de divulgação científica. Curiosidade turística A Tasmânia também é famosa por abrigar cavernas e florestas onde fungos e insetos emitem luz natural — outro espetáculo biológico conhecido como bioluminescência, diferente da fluorescência, mas igualmente fascinante.