[[legacy_image_14841]] A velocidade com que o novo coronavírus se propaga é a maior preocupação de especialistas no assunto. No Brasil, a curva de contaminação é ainda mais dramática do que a de Itália e Espanha, o que faz com que o assunto seja preocupante pelo fato desses países serem o foco da doença hoje. A região, no entanto, caminha na contramão dessa realidade. Para especialistas, a comparação de dados, embora traga alertas importantes, não é necessariamente indicativo de que o Brasil terá a mesma trajetória que outros países. Os números considerados também são apenas os confirmados oficialmente, ou seja, ignorando as subnotificações. Nos 30 dias desde o primeiro caso de contaminação por coronavírus no país, o saldo foi de 77 mortes e quase 3 mil confirmações da doença. Em seus 30 primeiros dias após o primeiro caso, a Itália tinha quase 1.700 casos e 21 mortes. Já a Espanha, no mesmo período, tinha 45 casos e nenhuma morte. A situação muda de figura se forem analisadas as mortes. O crescimento no Brasil é menor do que o italiano e o espanhol. O primeiro óbito no país foi dia 17 de março e, 15 dias depois, são 240 nesta terça-feira (1º). Na Espanha, a primeira morte foi reportada dia 3 e, 12 dias depois, eram 831 óbitos. Já na Itália, a primeira morte aconteceu em 21 de fevereiro e, no mesmo intervalo, o país tinha 366 mortos. Segundo o infectologista Marcos Caseiro, na prática, é preciso aguardar para conhecer o avanço da doença no país. Por isso, a recomendação segue para que as pessoas continuem em casa. “As comparações são sempre complicadas, porque muitas vezes pode-se comparar ‘lé com cré’. Temos um caminho inicial idêntico a esses países em que os casos explodiram depois, mas a curva pode ser mudada com medidas preventivas”. Ele explica que a utilização de máscaras por todas as pessoas, contaminadas ou não, é uma questão a ser debatida e que funcionou no Japão, por exemplo. “O grande problema são os assintomáticos, que seguem nas ruas e transmitem a doença para outras pessoas. Mesmo quem fica doente começa a transmissão dois dias antes dos primeiros sintomas”, diz Caseiro. [[legacy_image_14842]] Região Ao analisar a situação da Baixada Santista, o infectologista Jacyr Pasternak diz que a realidade é totalmente diferente da Capital, que hoje é o epicentro da doença no Brasil. E o baixo número de mortes e casos confirmados, na comparação com outras regiões, pode causar uma falsa sensação de segurança. “Teremos uma expansão de casos entre as próximas quatro e seis semanas. As pessoas não devem pensar que a preocupação é algo que surgiu do imaginário. Isso é real. É fundamental ficar dentro de casa”. O infectologista Ricardo Hayden explica que está muito menor a perspectiva de casos na região e que medidas de prevenção ajudam a melhorar a situação. “O vírus fica em suspensão no ar e as pessoas seguem saindo nas ruas. Quanto mais ficarmos em casa, menos gente vai se infectar”. [[legacy_image_14843]]