Cidades do litoral como Santos já registram aumento preocupante do nível do mar nos últimos 20 anos (Vanessa Rodrigues / AT) Nos últimos meses, manchetes chamativas sobre o “afundamento” do Brasil e o suposto colapso da Terra têm circulado nas redes sociais e causado apreensão. Mas até que ponto essas afirmações têm fundamento científico? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Estudos recentes divulgados por universidades como Harvard, NASA e centros de geofísica da Europa apontam que o eixo de rotação da Terra está mudando, um fenômeno chamado deslocamento polar (polar wander). Essas alterações, embora sutis, podem sim ter impactos concretos, como o aumento do nível do mar em algumas regiões costeiras, a erosão de áreas urbanas e até mudanças nos padrões climáticos. No Brasil, cidades do litoral como Rio de Janeiro, Santos, Recife e Fortaleza já registram aumento preocupante do nível do mar nos últimos 20 anos. Cientistas alertam que essa elevação está acelerando — e parte disso pode ter relação com o "bamboleio" do planeta. A Terra está girando diferente — e isso tem consequências A rotação da Terra não é perfeita. O planeta gira ligeiramente inclinado, e esse eixo sofre pequenas mudanças ao longo do tempo, influenciado por fatores como: Derretimento das calotas polares; Redistribuição de massas líquidas (como água e magma); Atividades humanas, incluindo a extração de água subterrânea em larga escala. Um estudo recente da American Geophysical Union mostrou que a retirada de bilhões de toneladas de água dos lençóis freáticos em países como Índia, Estados Unidos e até o Brasil pode ter contribuído para deslocar o eixo da Terra em cerca de 80 centímetros desde 1993. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora o número pareça pequeno, ele é significativo em escala planetária. Segundo o geofísico Clark R. Wilson, da Universidade do Texas, isso “altera a distribuição de massa no planeta”, o que pode gerar desníveis em áreas costeiras e aumentar o risco de inundações e erosões. E o Brasil? Está mesmo afundando? É exagero dizer que o Brasil está “afundando”, mas certas áreas estão sim sendo afetadas por essa combinação de fatores globais e locais. Um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostra que a baixa elevação do litoral brasileiro, combinada com a urbanização desordenada, vem tornando regiões costeiras mais vulneráveis à elevação do nível do mar. Segundo o pesquisador Antonio Donato Nobre, “o que está acontecendo no planeta é um jogo de forças sutis, mas cumulativas. Quando essas forças se encontram com vulnerabilidades locais, como construções em áreas de restinga ou mangue, o risco de erosão e inundações aumenta”. Exemplos preocupantes no Brasil Santos (SP): Um dos maiores portos do hemisfério sul já registra aumento de quase 2 cm por década no nível médio do mar. A cidade monitora com atenção riscos à infraestrutura portuária e à orla. Recife (PE): Sofre com erosões na faixa litorânea e aumento da salinização do solo. Ilha do Marajó (PA): Comunidades ribeirinhas têm sido atingidas por mudanças nos padrões de maré, agravadas por alterações nos rios amazônicos. 🔮 O que pode acontecer nos próximos anos? O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que, mesmo com medidas globais de contenção, o nível do mar poderá subir entre 20 e 60 centímetros até 2100. Em cenários mais críticos, o aumento pode ultrapassar 1 metro. Combinado à mudança do eixo terrestre, isso pode alterar não só o clima, mas também influenciar a precisão de sistemas de navegação via satélite, e até afetar a duração dos dias — que podem ficar ligeiramente mais curtos ou mais longos. ✅ O que está sendo feito? Pesquisadores defendem um esforço conjunto entre ciência, governo e sociedade civil. Algumas medidas já em andamento: Monitoramento contínuo por satélites (INPE, ESA, NASA); Políticas de proteção costeira e reflorestamento de mangues; Investimentos em infraestrutura resiliente em cidades costeiras; Redução do consumo de água subterrânea e proteção dos aquíferos.