[[legacy_image_90855]] O Hospital Guilherme Álvaro (HGA), em Santos, realizará cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, a unidade mantida pelo Governo do Estado se tornará referência neste tipo de intervenção na Baixada Santista. A expectativa é que seja possível fazer entre oito e 16 procedimentos por mês, a partir de outubro. Até hoje, não havia hospitais credenciados pelo SUS para o procedimento na região. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Foram investidos cerca de R\$ 150 mil em mobiliário e equipamentos médicos, segundo a diretora técnica do HGA e coordenadora do serviço de bariátrica, Mônica Mazzurana. O custo de cada cirurgia varia entre R\$ 10 mil e R\$ 12 mil aos cofres públicos. “Começamos a atender os pacientes, que já estão com o pré-operatório pronto. Precisamos finalizar exames e prepará-los para a cirurgia”. Estima-se que 36 mil pessoas sejam elegíveis ao procedimento cirúrgico na região. Interessados devem procurar a unidade de saúde mais próxima de casa para iniciar o preparo e receber o encaminhamento ao HGA para cirurgia. Perigo A obesidade é segunda causa de mortalidade mais evitável no mundo. Antes da covid-19, chegou a ser considerada a maior pandemia do século 21. A estimativa para 2025 é que 2,3 bilhões de adultos ao redor do planeta estejam acima do peso, sendo 700 milhões deles obesos. É considerado obeso mórbido quem tem Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40. Ou acima de 35, no caso de pessoas com doenças associadas, como hipertensão, diabetes e gordura no fígado. “A cirurgia bariátrica é indicada nesses dois casos. Há uma terceira situação, também com indicação, que é quando o paciente tem IMC entre 30 e 35 e é diabético grave, de difícil controle. Não é procedimento estético e tem por objetivo evitar doenças associadas ao excesso de peso”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Fabio Viegas. No País, o índice de brasileiros com obesidade aumentou 72% em 13 anos, saindo de 11,8% da população em 2006 para 20,3% em 2019. “Isso acaba levando a uma diminuição de até dez anos na expectativa de vida. A obesidade aumenta os riscos de doença e morte. A operação oferece saúde ao paciente. É uma transformação de vida, porque eles sofrem preconceito. O mundo não é preparado para lidar com o obeso”, acrescenta a diretora técnica do HGA. Esperança A paciente Valdirene Olinda Dias, de 44 anos, aguarda há cinco anos a chance de realizar a cirurgia bariátrica no SUS. Agora, está na reta final dos preparativos para fazer o procedimento no HGA. Hoje com 165 quilos, ela conta que desenvolveu hipertensão, entre outros problemas, devido à obesidade. “Durmo e acordo com dores nas pernas. Tenho problema de circulação e parei de trabalhar por conta da obesidade. Eu já fui vítima de preconceito e agora tenho uma chance de voltar a ter esperança”.