População deve aumentar a prevenção contra doenças cardiovasculares durante inverno (Alexsander Ferraz/AT) Durante o inverno, o frio pode aumentar os casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). As baixas temperaturas podem aumentar em até 30% as ocorrências de infarto agudo do miocárdio (IAM) e em até 20% de AVC. A informação é do Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Murilo Meneses, médico e professor da pós-graduação em Cardiologia da Afya Goiânia, explica que, para preservar a temperatura corporal durante o frio, a resposta natural do organismo é a vasoconstrição, que é um estreitamento dos vasos sanguíneos que aumenta a resistência à passagem do sangue e eleva a pressão arterial. "Quando somos expostos ao frio, o organismo ativa mecanismos para preservar a temperatura corporal. Um dos principais é a vasoconstrição, que faz com que o sangue encontre mais resistência para circular e aumente a pressão arterial. Além disso, o frio ativa o sistema nervoso simpático, elevando a liberação de adrenalina, a frequência cardíaca e a demanda de oxigênio pelo coração. Esse conjunto de alterações ajuda a explicar por que o inverno está associado ao aumento dos eventos cardiovasculares, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e doença cardiovascular", explica o cardiologista. Riscos maiores As mudanças de comportamento típicas dessa época do ano, como a redução da prática de atividades físicas, maior ingestão de alimentos ricos em gordura e sódio e a diminuição do consumo de água podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. O risco é maior para aqueles que possuem placas de gordura nas artérias coronárias. O especialista ressalta que “o frio faz com que o coração precise trabalhar mais. A vasoconstrição aumenta a pressão arterial e obriga o músculo cardíaco a fazer mais força para bombear o sangue. Ao mesmo tempo, o organismo gasta mais energia para manter a temperatura corporal, elevando a necessidade de oxigênio. Em quem já possui obstruções nas artérias do coração, esse desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio pode favorecer o infarto. Além disso, temperaturas muito baixas também podem aumentar a inflamação e favorecer a formação de coágulos, contribuindo para o rompimento de placas de gordura” AVC Já os casos de AVC, não são provocados isoladamente pelo frio, porém, a temperatura pode influenciar o risco em pessoas que já possuem predisposição, segundo o médico Normando Guedes. "O frio, por si só, não causa AVC. Uma pessoa saudável não vai sofrer um AVC apenas porque a temperatura caiu. O problema surge quando o frio se soma a fatores que já estavam presentes, como pressão alta, diabetes, idade avançada ou doenças nas artérias. O frio funciona como um gatilho, mas quem realmente aumenta o risco são os fatores de risco mal controlados", comenta o médico. "No frio, os vasos sanguíneos se contraem para conservar calor, fazendo com que a pressão arterial aumente. Ao mesmo tempo, o sangue tende a ficar mais concentrado e com maior facilidade para coagular. Essa combinação aumenta o risco de um vaso cerebral entupir ou se romper. Estudos mostram, inclusive, que o pico de ocorrência de AVC costuma aparecer alguns dias após uma queda de temperatura, o que reforça que os cuidados devem ser mantidos durante todo o período frio, e não apenas nos dias mais gelados”, complementa. Pessoas com diabetes, hipertensão, doenças vasculares e idosos devem reforçar os cuidados durante o frio. O médico reforça que não se deve interromper ou espaçar a medicação, manter uma boa hidratação e praticar atividade física, mesmo dentro de casa. Além disso, é importante manter as vacinas em dia, especialmente contra a gripe pneumonia. O especialista afirma que controlar as doenças crônicas é a melhor forma de proteger o cérebro. Sinais Durante um AVC, reconhecer rapidamente os sinais é decisivo. "No AVC, existe uma frase muito conhecida entre os médicos: 'tempo é cérebro'. A cada minuto sem tratamento, o cérebro perde cerca de 1,9 milhão de neurônios. Quanto mais cedo o paciente chega ao hospital, maiores são as chances de preservar o tecido cerebral e reduzir sequelas como paralisia e dificuldade para falar. Nunca se deve esperar para ver se os sintomas vão passar", adverte Dr. Normando. É preciso estar atento também com sintomas que aparecem de forma súbita. "Perda ou embaçamento da visão, dor de cabeça muito intensa e diferente do habitual, tontura com perda de equilíbrio e dormência de um lado do corpo também podem indicar um AVC. Duas orientações ajudam a salvar vidas: anotar o horário em que os sintomas começaram e acionar imediatamente o SAMU. O atendimento começa ainda durante o transporte até o hospital." De acordo com os especialistas, manter a pressão arterial controlada, seguir corretamente os tratamentos prescritos, praticar atividades físicas regularmente, adotar uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro, controlar colesterol e diabetes e manter uma boa hidratação é crucial para diminuir os riscos cardiovasculares durante o inverno. "O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil, mas a maior parte dos casos pode ser prevenida. O controle da pressão arterial, diabetes, colesterol, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool responde por cerca de 90% do risco. O frio apenas aumenta a exigência do organismo de quem já tem esses fatores. Conhecer os sinais de alerta, manter as doenças sob controle e buscar atendimento rapidamente pode salvar vidas e preservar o cérebro”, afirma o médico.