[[legacy_image_258794]] Surgiu uma dor de cabeça? Talvez um remédio resolva. Um hábito tão comum e que parece inofensivo pode se potencializar e virar uma verdadeira ‘enxaqueca’. A automedicação é um risco e pode trazer uma série de prejuízos a curto e a longo prazo, podendo levar até mesmo a morte. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A diretora científica da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) e infectologista, Claudia Vidal, reforça que há sempre a necessidade de uma prescrição médica para a utilização de um medicamento. Afinal, a especialista explica que o uso de um remédio indevido pode atrapalhar o tratamento médico com outra medicação. Pacientes portadores de doenças como diabetes, pressão alta, entre outras, podem aumentar ou diminuir o nível do medicamento controlado no sangue ao ingerir outro composto. “A automedicação pode causar uma série de riscos, como um evento adverso, que é um efeito indesejado quando o paciente utiliza uma medicação em que pode ter alguma reação alérgica, efeitos gastrintestinais, reações alérgicas cutâneas e alteração no sono”, informa. A situação se torna mais arriscada quando envolve antibióticos. “Quando esse medicamento é antibacteriano, principalmente para tratar infecções, podem contribuir para o aumento da resistência bacteriana. Com isso, as bactérias vão ficando cada vez mais tolerantes àquelas drogas e a eficácia terapêutica para o tratamento de futuras infecções vai ficar comprometida”. De uma forma geral, a profissional afirma que a automedicação não é indicada. Quando o paciente sente que algo está diferente, algum incômodo, que pode ser devido a uma doença, ela reforça que é preciso procurar um médico. “Claro que existem doenças crônicas, mas o próprio paciente terá um histórico e um acompanhamento médico com prescrição de medicamentos que poderá utilizar quando tiver algum sintoma”, diz. Para evitar situações como a do choque anafilático, que pode ser fatal, é necessário consultar um médico antes de utilizar um medicamento pela primeira vez, alerta a especialista. “Medicamentos analgésicos e antitérmicos são vendidos sem uma prescrição obrigatória atuam para aliviar dor ou febre são utilizados pelas pessoas, mas só devem ser usados se por acaso já houve uma prescrição com aquele medicamento e é compatível com outros remédios que você já utiliza”, comenta. Entre os principais riscos da automedicação, fora as já citadas, estão a intoxicação, a dependência e um falso alívio dos sintomas, o que pode mascarar o diagnóstico correto de uma doença. O professor de medicina e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Leonardo Weissmann, força também a possibilidade da automedicação causar sudorese, tontura, vômito, palpitações, mudança de comportamento, sonolência, coma e até a morte. “A automedicação a longo prazo pode causar dependência a um remédio, fazendo com que ele acabe perdendo o seu efeito. Uma outra consequência importante é quando a automedicação indiscriminada ocorre como antidepressivos e ansiolíticos, afetando o sistema nervoso”, explica. AnalgésicosDe forma sucinta, os analgésicos são medicamentos prescritos para acabar com a dor. Há aqueles que são mais fracos, para dores moderadas e leves, como o paracetamol e a dipirona. Normalmente são indicados para dores de cabeça ou contusões. Este grupo de medicamentos é comercializado sem necessidade de apresentar uma receita com prescrição médica e, normalmente, são utilizados comumente para driblar esses sintomas. Contudo, é necessário se atentar ao uso indiscriminado. “Doses altas de paracetamol poderão levar a uma lesão do fígado, potencialmente fatal. Se uma pessoa tomar doses muito altas de dipirona, poderão ter enjoo, vômito, dor no abdome, tontura, sonolência, arritmia cardíaca e queda da pressão arterial. O uso abusivo de anti-inflamatórios pode levar a gastrite, úlceras, insuficiência renal, alterações no sangue, causando sangramentos”, alerta. Como se automedicarSegundo o especialista, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a “automedicação responsável” como “prática dos indivíduos para tratar seus próprios sintomas e males menores com medicamentos aprovados e disponíveis, sem prescrição médica, e que são seguros quando usados segundo as instruções”. “Ainda assim, deve ser feita de forma disciplinada, com a orientação de um profissional capacitado, não seguindo sugestões ‘infalíveis’ de familiares, amigos ou vizinhos. O ideal é consultar um médico antes de tomar qualquer remédio. O profissional decidirá sobre a necessidade, baseado no diagnóstico do paciente e nas características do medicamento. A automedicação pode ser muito perigosa para a saúde, com graves consequências”, reforça.