Sintomas da alopecia podem surgir ainda na adolescência e agravar-se com o tempo (Adobe Stock) O glamour das celebridades muitas vezes oculta os desafios pessoais das figuras públicas – afinal, são seres humanos, é sempre bom frisar. Entre esses desafios, está a alopecia androgenética feminina, condição de saúde capilar comum entre mulheres, que atinge famosas como Xuxa, Britney Spears e Naomi Campbell. Como tantas condições de saúde, a alopecia está cercada por estigmas e desinformação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Estudos indicam que cerca de 30% das mulheres vivem algum grau de perda de cabelo devido à alopecia androgenética ao longo da vida, geralmente manifestando-se após os 30 anos. No entanto, os sintomas podem surgir ainda na adolescência e agravar-se com o tempo. Características A alopecia caracteriza-se pela perda progressiva de cabelo, afetando principalmente a região frontal e o topo da cabeça. “É uma condição hereditária, influenciada por hormônios, que pode afetar qualquer mulher, independentemente de sua fama ou sucesso”, explica Mariana Scribel, dermatologista, dedicada ao estudo das desordens capilares. Sinais e Sintomas Os primeiros sinais incluem o afinamento dos fios de cabelo, progredindo para uma queda perceptível. Celebridades como Deborah Secco e Gretchen trouxeram maior visibilidade ao problema, mostrando que a realidade afeta inúmeras mulheres globalmente. Apesar da predisposição genética ser um fator considerável, hábitos saudáveis podem influenciar positivamente a progressão da doença. “Adotar uma alimentação rica em nutrientes, evitar o estresse e cuidar delicadamente dos cabelos são práticas essenciais para a saúde capilar”, recomenda Mariana. Por outro lado, o uso contínuo de produtos químicos agressivos e ferramentas de aquecimento excessivo deve ser evitado. Nas Sobrancelhas A perda definitiva das sobrancelhas também é uma queixa comum entre as mulheres. A alopecia pode também comprometer essa região, em que a perda de pelos ocorre por tipos variados de alopecia. A causa mais comum, segundo Scribel, é o excesso de retirada das sobrancelhas, que acaba causando a perda definitiva. Outras duas patologias que podem causar a perda das sobrancelhas são a alopecia areata e a alopecia fibrosante frontal, duas formas específicas de alopecia. A alopécia areata é uma doença autoimune, caracterizada por áreas de perda de cabelo em forma de circos. Já a alopecia fibrosante frontal é uma forma de alopecia progressiva e irreversível. Tratamentos Modernos A medicina estética moderna provê diversas opções de tratamento para a alopecia androgenética. Incluem-se o uso de medicamentos tópicos, orais, tratamentos a laser e até transplantes capilares e de sobrancelhas, oferecendo soluções personalizadas e eficazes. “Cada tratamento deve ser adaptado ao paciente, respeitando as particularidades de cada pessoa para otimizar os resultados”, ressalta Scribel. Convivendo com a doença Já na adolescência, a professora Mariana Peixoto Ortega, hoje 43 anos, percebeu o cabelo ficando mais ralo. Mas o diagnóstico veio somente em 2022, quando ela procurou ajuda médica. “Até então, eu não sabia exatamente o que era, qual o nome ou a causa. Procurei o tratamento porque comecei a pensar na menopausa e como o meu corpo reagiria às essas questões hormonais. Pensei que poderia acentuar ainda mais a falta de cabelo e isso me incomodou”. Mariana, que também tem uma tia com o mesmo diagnóstico, confessa que não se incomoda com a doença em si, mas sim com as pessoas que oferecem fórmulas mágicas. “Faz um chá de folha de goiabeira’. Me choca a liberdade das pessoas em falar do meu corpo dessa maneira invasiva”.