Alopecia androgenética e alopecia areata são duas doenças responsáveis por queda de cabelo, que afetam mulheres e têm causas e tratamentos diferentes. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda que, na ocorrência de queda de cabelo, busque-se avaliação médica. Com avanços no conhecimento e novas opções terapêuticas, especialistas da entidade reforçam que o diagnóstico é fundamental para garantir o tratamento adequado e melhorar a qualidade de vida das pacientes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A alopecia androgenética é uma condição genética e hormonal que causa perda lenta e progressiva da espessura dos fios; já a alopecia areata é uma condição autoimune que leva à queda súbita pela raiz. Hormônios e queda de cabelo Você conhece a relação entre hormônios e queda de cabelo nas mulheres? De acordo com especialistas da SBD, decisões sobre métodos anticoncepcionais, uso de DIU hormonal e terapia de reposição hormonal (TRH) devem ser tomadas de forma compartilhada entre dermatologista e ginecologista, especialmente nos casos de alopecia androgenética feminina. “Ao longo da vida, a escolha dos métodos anticoncepcionais e a definição da terapia de reposição hormonal depois da menopausa podem mudar a evolução da alopecia androgenética na mulher, tanto positivamente quanto negativamente”, explica Fabiane Brenner, dermatologista da SBD. Os anticoncepcionais orais possuem papel relevante, sobretudo em mulheres jovens. Eles atuam inibindo os hormônios andro-gênicos, associados ao afinamento progressivo dos fios. Ainda assim, o anticoncepcional costuma ser um coadjuvante. Em muitos casos, é necessário associar bloqueadores hormonais, o que exige contracepção eficaz durante o tratamento. “Com o uso dos bloqueadores, a paciente não pode engravidar, então obrigatoriamente precisamos usar o anticoncepcional”. O DIU hormonal também é frequentemente discutido nesse contexto. Segundo a especialista, apesar da pequena absorção sistêmica de progesterona, o método pode ser utilizado como aliado. “Ele serve como anticoncepcional nos casos de necessidade dos bloqueadores hormonais na mulher”, explica a médica dermatologista. Menopausa e reposição A transição para a menopausa é outro momento crítico, em que muitas mulheres apresentam piora da alopecia androgenética. “A reposição hormonal nos ajuda muito. Os estrogênios prolongam a fase de crescimento dos cabelos, melhoram a densidade capilar e reduzem o impacto dos hormônios androgênicos”, enumera Fabiane. “Porém, apesar dos benefícios, a reposição não é um tratamento primário para a alopecia androgenética na mulher”. A médica ressalta ainda que, além das terapias citadas, a alopecia androgenética também pode ser tratada com minoxidil oral e tópico. Impacto além da estética A assessora do Departamento de Cabelos da SBD, Priscila Kakizaki, explica que existe uma tendência de enxergar a queda de cabelo como algo apenas estético, mas, na prática, a alopecia areata se trata de uma doença autoimune, que pode ter um impacto emocional importante na vida do paciente. Ela ressalta que o cenário terapêutico mudou nos últimos anos. Hoje, com a chamada era dos inibidores de JAK, ocorreu um avanço importante no tratamento da doença. “Conseguimos atuar de forma mais específica na doença, o que muda o cenário, principalmente, para pacientes que não tinham boa resposta aos tratamentos tradicionais. Isso não significa que todos irão responder nem que todos precisarão dessas medicações, mas hoje temos mais ferramentas e mais caminhos possíveis de tratamento”. A especialista encoraja aquelas pessoas que já tentaram tratamentos sem sucesso a não desistir, já que além do avanço atual, novas medicações continuam sendo estudadas, o que permitirá um avanço ainda maior nos próximos anos. "Estamos vivendo um momento de transformação na forma como entendemos e tratamos a alopecia areata. Cada caso precisa ser analisado de forma individualizada, e hoje, temos cada vez mais recursos para oferecer uma abordagem mais precisa e eficaz”. As diferenças Alopecia areata Placas lisas: a pele nas áreas afetadas fica lisa e sem pelos. Fragilidade dos fios: pelos na borda da lesão costumam se soltar facilmente ao puxar. Evolução imprevisível: em cerca de 70% dos casos, os fios voltam a crescer espontaneamente em 6 a 12 meses. Em casos mais raros, pode evoluir para a perda de todo o cabelo da cabeça (alopecia areata total) ou de todos os pelos do corpo (alopecia areata universal). Alopecia androgenética feminina Início: redução gradual da densidade capilar, com fios mais curtos e ralos. Sinais associados: pode vir acompanhada de acne, irregularidade menstrual ou excesso de pelos, exigindo investigação endócrina.