A chamada “Internet dos Sentidos” é uma ideia futurista ligada à sexta geração das redes móveis que ultrapassa a mera troca de dados, ao possibilitar a digitalização e o envio, em tempo real, de experiências sensoriais humanas (Montagem Adobe Stock) A internet caminha para mais uma revolução. A velocidade altíssima de transmissão de dados da geração 6G promete mexer com a qualidade e capacidade das conexões. Ainda não há prazo para implementação, que está sendo estudada pela União Internacional de Telecomunicações. Mas não é errado imaginar algo absolutamente disruptivo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A tecnologia deve proporcionar conexões mais rápidas, com menor latência nas transmissões e uso de filtros em satélites capazes de reduzir falhas no envio de dados pelas redes. O 6G também prevê a integração com sistemas de Inteligência Artificial (IA), com algoritmos avançados voltados à gestão de energia, reduzindo desperdícios e permitindo que a própria rede se organize e ajuste o fluxo de dados em tempo real. “Essa IA integrada poderá gerenciar tráfego e otimizar serviços. Ela não só transporta dados, mas usa modelos de IA embutidos para tomar decisões em tempo real: gerenciar tráfego, ajustar parâmetros rádio, prever falhas e oferecer serviços personalizados”, explica a advogada especialista em direito digital Aline Melsone Marcondes Trivino. Ela lembra que haverá mais velocidade e capacidade, com picos maiores — latência extremamente baixa e suporte a muito mais dispositivos; confiabilidade e uso de bandas muito altas (incluindo faixas terahertz). “A integração de IA aumenta o custo inicial (hardware, servidores de edge, modelos, pessoal especializado), mas pode reduzir custos operacionais via automação e eficiência espectral. No lançamento, isso pode encarecer serviços; com escala, tende a reduzir custos”, acrescenta Aline. No Brasil No Brasil, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), iniciou trabalho de desenvolvimento de um plano de ações (framework) para o desenvolvimento da rede 6G no País, dando origem ao projeto Brasil 6G. O objetivo é definir quais são os passos necessários para que a futura geração de redes móveis seja capaz de atender aplicações e casos de uso importantes para o desenvolvimento econômico e social do País. “A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que pretende publicar o edital do leilão do 6G em outubro de 2026, mas o início da comercialização do 6G no Brasil deve ficar para 2030-2032, priorizando a faixa de 6 GHz para uso licenciado. A Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) contesta essa decisão, defendendo o uso livre da faixa para Wi-Fi (6 GHz) por provedores regionais e estuda judicialização contra a divisão que destina 700 MHz às teles. O leilão de frequências está no radar”, amplia a especialista. Um ponto de conflito: a faixa de 6 GHz hoje é usada por provedores para Wi-Fi 6E/7. Assim, a proposta da Anatel deixaria parte da faixa para uso móvel, o que gerou reclamações — a Abrint ameaça ação judicial se perder o direito de usar a faixa integralmente. Como consequência prática, essa disputa sobre o uso da faixa de 6 GHz pode atrasar o cronograma do leilão e a implementação do 6G no País. “Em fevereiro, a Anatel ajustou sua agenda regulatória, removendo temporariamente o edital dos 6 GHz do cronograma imediato, mas mantendo o foco em estudos de impacto”, finaliza Aline.