[[legacy_image_327314]] “Eu tenho 42 anos de vida e não sei nem te responder quantos anos de Carnaval, porque eu sou nascido e criado na Brasil”. Cléber Franco da Silva, o Mestre Binho, é um filho do Carnaval e desde muito cedo viveu o ambiente do samba dentro de casa. Os avós, os pais, a família toda respirou os ares da Campeoníssima desde sempre. Filho do Mestre Paulão, só poderia herdar o comando da bateria Feitiço Brasileiro e levar à frente o legado que está no sangue. “Não tive nem como não ser Brasil, graças a Deus.” Acostumado a ver o pai comandar aquela bateria tão tradicional desde criança, Binho fala com orgulho de levar essa tradição para os mais novos. “A responsabilidade é enorme. Feitiço Brasileiro tem muita história no Carnaval santista, no Carnaval da Capital também. Com a força de Deus, a gente vai trabalhando quietinho e vai dando tudo certo”. O mestre vem preparando a bateria para mais uma grande apresentação, e vai ter bossa diferente: “A gente cria a bossa em cima do samba, da melodia. Este ano a gente vem com uma bossa só, mas ela é bem interessante”. Com muitos anos de bateria, Binho pensa em tudo para agradar ao público e aos jurados: “A gente vai com o regulamento debaixo do braço para tentar buscar a nota máxima”. E como é substituir o pai? “É bem difícil porque o meu pai, como todo mundo sabe, era bem respeitado, mas, com a força dele também, a gente vai seguindo, deixando o que ele nos ensinou, e passando para a frente.” Perguntei ao Mestre Binho se o pai lhe revelou o segredo da Feitiço brasileiro, que sempre foi aplaudida pelo som que apresentava nos desfiles. “Nem para mim ele passou. Era o lance dos surdos (instrumentos) da bateria. Uma tinta com que ele pintava o couro, que mudava o som, mas esse segredo não passou, não.” [[legacy_image_327315]] Bolinha: “Emoção inexplicável” “Cantar na X-9 é diferente. A escola mais tradicional de Santos. O fanatismo xisnoviano é impressionante. Na concentração, quando começa a cantar o hino, é uma emoção inexplicável. É só olhar para o lado e tem alguém chorando”. Rafael Forjanes Rocha, o Bolinha, tem 43 anos de idade. É formado em Administração, atua na área portuária. Mas, quando não está no trabalho, o samba é sua grande paixão. E essa história com os desfiles vem desde 2004, quando começou na União Independente de São Vicente. Em 2006, na volta dos desfiles oficiais de Santos, Bolinha já estreava em dose dupla. Nesses dois anos, ele foi do time de canto da Real Mocidade e da Sangue Jovem. Foi para a X-9 em 2008, quando cantou ao lado de Baby, Primo e Serginho. Assumiu o posto de intérprete oficial em 2010. “Cheguei na X-9 em 2008 e, dois anos depois, comecei como intérprete oficial. Já são 14 anos. Só não fui para a avenida com a X-9 durante a pandemia”. No ano passado, Bolinha formou dupla com o intérprete do Salgueiro, Émerson Dias. Neste ano, MC Bola também vai estar junto com eles. “Para nós, é uma honra muito grande cantar com MC Bola e com Émerson Dias, dois ícones da música popular brasileira. Para nós, não muda nada. A gente só divide responsabilidade.” Para o intérprete da Pioneira, a maior emoção é quando vai chegando a hora de entrar na avenida. “Ali, o nervosismo ataca mesmo, mas, quando a escola começa a andar, todo mundo já sabe o que tem que fazer”. Bolinha, e quando a sirene toca para anunciar a hora do desfile? “Aí, dá um nervoso igual ao do repórter que vai entrar ao vivo na televisão. Por mais que seja experiente, e já tenha entrado ao vivo, sempre dá um friozinho na barriga.” [[legacy_image_327316]] “O funk me adotou. Eu sou do Carnaval” “É a minha estreia na X-9. Meu primeiro ano, e a emoção é enorme porque é a escola da minha família. Eu queria muito ter feito isso até 2016, quando a minha avó era viva. Era o sonho dela, mas com certeza, de onde estiver, ela está realizada.” MC Bola é um funkeiro que faz sucesso em todo o Brasil. Ele se consagrou com o hit Ela É Top: ‘Ela não anda/Ela desfila/Ela é top/Capa de revista/Ela é a mais mais/Ela arrasa no look/Tira foto no espelho pra postar no Facebook’. Ele tem uma visão bem legal sobre esse universo da música: “O funk me adotou, mas eu sou do Carnaval”. Ele já tem 31 anos no Carnaval santista. Desde criança, saía como ritmista na bateria da escola de samba Brasil. Passou a ser intérprete da Mocidade Independente de Padre Paulo, na Brasil e na Mocidade Amazonense. Como é cantar com outros dois intérpretes, como Émerson Dias e Bolinha? “Diferença para cantar sozinho existe, mas, como nós temos uma sintonia bacana com o Bolinha e com o Émerson, que vem do Salgueiro, para mim é uma satisfação. O Émerson é um cara que vem de uma escola enorme, de nível Brasil, e o Bolinha é um irmão que já conheço há muitos anos e estamos tendo o prazer de trabalhar juntos este ano”. Ele sabe que vai viver uma noite muito especial na estreia na Pioneira. Mesmo com todo o sucesso que faz, com apresentações para grandes públicos, Bola conhece bem o ambiente dos desfiles oficiais: “É uma emoção totalmente diferente de tudo que eu já vivi. Quando entra naquela passarela, pessoal na arquibancada, camarote, é outra coisa, porque as pessoas que estão ali, te assistindo, te conhecem de criança, que têm orgulho de você, de onde você chegou. Então, é diferente. Muito diferente.”