[[legacy_image_327986]] Edgar Silva Martins, de 41 anos, já trabalhou na área portuária como operador de empilhadeira e foi dono de barbearia, mas, atualmente, vive de música. É um dos grandes intérpretes revelados em Santos, que subiu a Serra para fazer sucesso também no Carnaval paulistano. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A história dele é bem curiosa. Como muitos garotos, sonhava em ser jogador de futebol. Nos treinos da Associação Atlética dos Portuários, ganhou o apelido de Chitão, porque cortava o cabelo ao estilo da dupla Chitãozinho e Xororó. E quem deu o apelido, na época, foi o técnico Izildo. Por coincidência, outro apaixonado pelo Carnaval. Chitão se apaixonou pelo Carnaval logo na infância, quando a mãe o levava aos ensaios da União Imperial. “A primeira vez em que eu desfilei foi em 1994, na ala do Marcelo Saúva, com meu pai e muitos familiares”. Dois anos depois, ele já tocava tamborim como ritmista da Real Mocidade com os mestres Edir e Edinho. “Quando o Carnaval de Santos ficou parado, eu e o Marinho da União Imperial fundamos o Bloco Concentra mas não Sai. Era beneficente, para fazer doações junto com o Marapé Futebol Clube na final do varzeano”. Só que os cantores não apareceram, e isso fez com que o então ritmista assumisse o microfone. “O Aldinho me ouviu e me convidou para os ensaios da Banda União Imperial.” A Verde e Rosa do Marapé, porém, já tinha cinco integrantes no time de canto. “Aí, eu fui para a Sangue Jovem, convidado pelo Poty do Cavaco. O Mestre Edir estava lá, o Joãozinho (atual intérprete da Brasil) também. Ali, eu cantei com o Darlan Alves e o Douglinhas Aguiar”. Chitão não parou mais. Em 2009, Zona Noroeste. De 2010 a 2012, Sangue Jovem. E, a partir de 2011, começou a cantar em São Paulo também. “Águia de Ouro, Pérola Negra, até que cheguei à Colorado do Brás, em 2012, para compor como Márcio Pessi”. A escola estava no quarta divisão da Capital. “Ganhamos o samba e fiquei por lá dez anos, até a escola subir para o Grupo Especial, em 2018, quando fui escolhido como melhor intérprete do acesso”. Já no ano seguinte, Chitão foi considerado revelação do Carnaval paulistano. Neste ano, Chitão vai ser o intérprete da União Imperial, em Santos, ao lado de Gilsinho, da Portela, e da Independente Tricolor, no Sambódromo do Anhembi. Ele não esconde o amor incondicional pelo samba. “O Carnaval representa meu trabalho, minha vida, meu sustento, me ajudou a me curar de uma depressão num momento difícil da minha vida. A minha família e o samba me ajudaram muito.” “A profissionalização das escolas e da Liga Independente, o envolvimento do Conselho do Samba e de toda comunidade do Carnaval vão promover um belo espetáculo na Passarela Dráuzio da Cruz.” A opinião, do secretário de cultura de Santos, Rafael Leal, mostra toda a expectativa em volta do desfile oficial na Cidade, que vai ocorrer nos próximos dias 2 e 3 de fevereiro. “Primeiro, é o simbolismo de uma Cidade que realiza e promove o Carnaval. Mexe com o mercado de eventos, a economia criativa, e se vê muita gente trabalhando por essa festa popular.” Rafael aposta no desfile mais competitivo dos últimos anos. “O aumento do setor de jurados, a colocação da última cabine de julgamento nos metros finais do desfile e outras mudanças no regulamento vão obrigar a todas as agremiações a trabalharem ainda mais para fazer boas apresentações”. O secretário revela o orgulho de ver todo esse movimento regional: “Não é apenas um Carnaval de Santos, mas de toda a Baixada Santista. Com as cidades que vêm participar, outras que vão ser homenageadas. Vejo com muita alegria a mudança de postura de várias escolas, cada vez mais profissionais, resgatando pessoas importantes. Estou muito confiante num lindo desfile. Vai ser o Carnaval dos carnavais”. [[legacy_image_327987]] Lucas dos Santos e Santos tem 32 anos de idade e é instalador técnico. Na Unidos da Zona Noroeste, ele é o mestre Mutchatcho, que está há 14 anos na escola da ZN. Começou tocando tamborim até chegar a mestre da bateria, cargo que ocupa há quatro anos. “A Zona Noroeste é tudo para mim. Dou a minha vida. Se não fosse o samba, eu nem sei o que eu seria”. Ele está ansioso com o desfile deste ano, que marca o retorno da escola para a elite do Carnaval santista. “É uma expectativa enorme, depois de bom tempo no acesso. A meta é ser campeão e, mesmo que não sejamos, vamos batalhar por uma boa colocação. Agora é para valer”. O mestre preparou duas bossas para o desfile deste ano, mas é muito objetivo: “Eu gosto de uma bateria mais reta. Sustenta mais. É mais básica”. Enquanto prepara seus ritmistas nos ensaios, ele vai imaginando a hora do desfile. “O coração está a milhão e o estresse também. É muita responsabilidade o nosso trabalho quando vai chegando o Carnaval”. E não para um minuto. “Quando acaba o Carnaval, já começa a escolinha. A gente tem que estar sempre se atualizando. A molecada vem e pode opinar também. Eles são a nossa atualização.”