[[legacy_image_245669]] O Carnaval voltou a brilhar na Passarela Dráuzio da Cruz, no Castelo, em Santos e terminou pouco depois das 5h da manhã. As luzes se acenderam, colorindo o ambiente e despertando sorrisos de quem estava na avenida e nas arquibancadas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com programação cumprida à risca, o desfile das escolas de samba na Cidade teve sua primeira parte, entre a noite desta sexta-feira (10) e a madrugada de sábado (11), após dois anos de interrupção forçada pela pandemia de Covid-19. Como é tradição, a Corte Carnavalesca abriu o desfile, para esquentar a alegria do público. Logo depois, vieram as oito primeiras escolas, sendo quatro do Grupo de Acesso e outras primeiras escolas do Grupo Especial. Grupo de AcessoA primeira foi a Dragões do Castelo, que foi convidada na folia anterior, a de 2020. Com 750 integrantes em dez alas, a agremiação uniu o domínio do tempo e a realização de sonhos no enredo 'Tempo - O Alimentador de Sonhos'. O tema surgiu de uma forma bastante diferente: por meio de uma enquete na própria comunidade, em que cada consultado descreveu seu sonho. Na avenida eles surgiram, no samba do passista e nos carros alegóricos: a magia da Disney para a criança, a emoção do grito de gol para todas as idades e o sonho dos direitos iguais. Na sequência, a Unidos da Zona Noroeste trouxe as minorias para a avenida, com o enredo 'Meu Galo Pede Respeito! E Diz não à Intolerância e ao Preconceito'. O galo é o símbolo da escola. E cantou alto a partir de seus 600 componentes em 12 alas. A terceira escola que desfilou na Passarela Dráuzio da Cruz foi a Bandeirantes. Com 400 componentes em dez alas, a escola do bairro Saboó desfilou carregada de emoção. O enredo 'No Rufar do Tambor Exalto meu Protetor! Salve Ogum' já indicava isso. Ogum é um orixá representado pela figura de um guerreiro, geralmente associado à guerra e ao fogo. Ele é considerado o mais próximo dos seres humanos depois de Exu. A quarta e última escola do Grupo de Acesso na primeira noite de desfiles em Santos foi a Vila Mathias, com 800 componentes em 15 alas. E em clima afrorreligioso, com o enredo 'Quem me Protege não Dorme', definido ainda em 2021. Grupo Especial BrasilPrimeira do Grupo Especial de Santos a entrar na Passarela Dráuzio da Cruz, no Castelo, na Zona Noroeste, a Brasil trouxe muita cor e alegria para resgatar antigos e vitoriosos desfiles em quase 74 anos de vida, com 'Meu nome é Brasil, meu sobrenome é vitória. Delirei, afinal é Carnaval!'. "É muito emocionante. Os mais novos ficam ainda mais maravilhados com todo esse resgate", comenta Junior Bicalho, um dos intérpretes da Brasil e compositores do samba. Ele, inclusive, fez questão de chamar para a entrevista Pinda, clássica intérprete quando o assunto é história da Brasil. "Estamos comendo pelas beiradas", disse, com relação à disputa do título. SorrisoO título do enredo não é à toa. Nem o apelido da agremiação do bairro Aparecida: Campeoníssima. São 15 títulos na estante, muitos revisitados em um delírio de Carnaval do Zé Carioca, mascote da escola: Mãe África (1991), Clareia (2006) e Amazônia Patrimônio do Brasil (2007) - este último o mais recente da Brasil. Rafaella Louzada, segunda porta-bandeira da agremiação ao lado do mestre-sala Yuri, representava justamente este enredo campeão, que evocou o chamado Pulmão do Mundo. "Passa um filme na cabeça. É muita história. Tenho 25 anos e estou na Brasil desde os 9", contou Rafaella, com um sorriso daqueles impossíveis de não se contagiar. BateriaOs 1.300 componentes distribuídos em 13 alas mostraram a sua força, com o samba na ponta da língua, em meio ao ritmo da bateria Feitiço Brasileiro. Costumeiro ponto alto da agremiação, o batuque não mudou sua rotina: levantou as arquibancadas da passarela. E também não faltaram aquelas paradinhas que conquistam, dando um colorido ainda mais especial a mais uma história da Campeonissima na avenida. Mocidade AmazonenseEm 25 de dezembro do ano passado, a Mocidade Amazonense comemorou o seu Natal. E muito especial, pois a escola de Vicente de Carvalho, em Guarujá, completou 50 anos. Para isso, nada melhor que fazer a festa no Carnaval, marcando um outro renascimento, após dois anos sem desfile, com o enredo 'Mocidade Amazonense, 50 Anos de uma História de Amor e Tradição'. Segunda do Grupo Especial a entrar na Passarela Dráuzio da Cruz, a escola contou a história da própria...escola. Ideia da comunidade, carregada de lógica, combinando emoção e imponência, com direito a belos carros alegóricos, sem deixar de lado a técnica do desfile - embora um pouco apressada no final. A inspiração do nome e das cores vieram do futebol, da Sociedade Esportiva Amazonas, retratada no início da passagem na avenida. A bateria Feitiço da Ilha também mostrou isso, ostentando o número 50 às costas. "Estou desde o início da escola, em 1972. Faço parte da ala dos compositores e da Velha Guarda. É muita emoção", conta Ernani Rodrigues. Ele era um dos integrantes da ala que relembra a pujança do Estado de São Paulo, retratada pela escola em 1975. Personagens históricosOutros temas passaram aos olhos de quem estava nas arquibancadas como se fossem lendas - e que são: os eternos cantores Francisco Alves, o Chico Viola (1976) e Elis Regina (1987), a dramaturgia de Dias Gomes (1992, quando a escola foi campeã pela primeira vez), a homenagem ao próprio Carnaval, pelo pierrô e a colombina (1996) e pela magia do circo (2008). "Foi nesse ano (2008) que passei a ser intérprete. No ano seguinte, fomos campeões pela segunda vez", relembra Ricardo Dias, o Jacaré, um dos intérpretes da Amazonense. "É muita responsabilidade. Estou me lembrando de quando eu passei a fazer parte da escola, em 1981", emenda. Com 1.000 componentes em 17 alas, a Mocidade Amazonense honrou um trecho do samba que diz: "Vem festejar/Pode aplaudir, chegou a Mocidade/São 50 anos de história/Meu verde e branco é só felicidade!". Foi Natal em fevereiro. X - 9O dia de São Jorge é 23 de abril, mas ele também apareceu no Carnaval de Santos nesta madrugada de 10 para 11 de fevereiro para proteger a X-9 na Passarela Dráuzio da Cruz, no Castelo, em Santos. O motivo é que o santo guerreiro, padroeiro da Pioneira, foi o tema da escola neste Carnaval, com o enredo 'Eu Andarei Vestido e Armado com Suas Armas! Salve Jorge!'. Ela foi a terceira escola do Grupo Especial a entrar na avenida. Quando se ouviu a melodia, assim como o hino que introduz todos os desfiles da Pioneira, quem estava na arquibancada mostrou toda sua devoção pela agremiação do Macuco. Força e estreiaA imagem do santo guerreiro estava no pavilhão levado pelo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira Lorran Ferreira e Brenda Gabrielle, pela primeira vez desfilando juntos. Eles representaram justamente a resiliência e a fé. "É importante porque um vai lapidando o outro", afirma Lorran, de 23 anos. "A X-9 foi a escola que me acolheu e ela é muito importante para mim", completou Brenda, muito emocionada. Três setoresO enredo da X-9 foi desenvolvido em três setores, que contam momentos importantes da trajetória do padroeiro da escola do Macuco: Capadócia, Martírio e Fé; Milagres que Ganham o Mundo e Brasil em Devoção. Como é hábito, a bateria Magia Xisnoveana deu show na avenida, com a rainha Francine Carvalho, em seu segundo Carnaval. O anterior tinha sido justamente o de 2020, último antes da parada forçada pela pandemia de covid-19. "É muita emoção voltar a acompanhar essa bateria", afirma. Os 1.100 componentes, distribuídos em 17 alas, desfilaram ao som de um samba igualmente protegido, mas pela qualidade: "Bendita tua proteção/Eu sou da tua companhia/Macuco clama em oração/A tua luz é quem nos guia/Se ao teu lado estiver/O mal não vai me vencer/Sagrado é o teu poder". Era mesmo noite de Jorge. Mãos EntrelaçadasQuem estava na Passarela Dráuzio da Cruz, no Castelo, em Santos, juntou as mãos e se preparou para uma viagem, mas em torno da cultura popular brasileira. Foi a proposta da Mãos Entrelaçadas, quarta escola do Grupo Especial e que fechou a primeira noite de desfiles do Carnaval de Santos, com o enredo "Uma Viagem Encantada pelo Brasil", trazido por mil componentes distribuídos em 12 alas. A agremiação do bairro Rádio Clube fez seu voo pela avenida trazendo as mais variadas vertentes dessa cultura tão rica. IluminadosO primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luizinho Braga e Patrícia Corrêa, iluminaram a avenida. E bem na estreia dos dois não apenas na escola como também no Carnaval, apesar de terem passado por várias escolas da região. Tanto brilho tem uma explicação: em 2012, Luizinho foi batizado como O Iluminado por João Henrique Corrêa da Luz, o Makumba, homenageado da Império da Vila neste sábado (11). "Ele dizia que meu sorriso iluminava tudo. E assim ficou", conta Luizinho. "Pode chamar a gente de casal Iluminado", emenda Patrícia. A Mãos Entrelaçadas trouxe para a avenida a história de nomes como o do escritor paraibano Ariano Suassuna — autor de obras como a clássica peça teatral O Auto da Compadecida, transformada em filme - e de Monteiro Lobato, tão imortal quanto o Sítio do Picapau Amarelo, presente na memória afetiva de gerações. Além disso, não faltou a alegria das festas populares: Festival Folclórico de Parintins, Festa de Iemanjá, Festa de São João, Festa da Tainha de Bertioga, Círio de Nazaré, Folia de Reis, a Oktoberfest e, claro, o Carnaval e o samba carioca. "Eu faço a festa por esse Brasil/Do Norte ao Sul o povo aplaudiu/De Mãos Entrelaçadas com você/Sambando até o amanhecer", dizia a letra do samba. E usando pés e mãos - entrelaçadas, de preferência - que viajaram muito na avenida. SábadoNa segunda noite de desfile na Passarela Drauzio da Cruz, neste sábado (11), desfilam: Padre Paulo, Império da Vila, Imperatriz Alvinegra (Grupo de Acesso) Sangue Jovem, Unidos dos Morros, Real Mocidade, Independência e União Imperial (Grupo Especial).