Eleições 2026 reúnem nomes inusitados de candidatos pelo Brasil (Reprodução) Na disputa por uma vaga nas eleições de 2026, alguns candidatos parecem ter decidido que conquistar a atenção do eleitor começa antes mesmo da apresentação das propostas. Os registros eleitorais reúnem uma coleção de nomes de urna curiosos, com referências a alimentos, profissões, celebridades, animais e até políticos conhecidos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os exemplos estão Vovó Tsuname, candidata a deputada estadual em Minas Gerais, e Batata Neles, que tenta uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Scheile Aparecida Soares Brandão, a Vovó Tsuname, disputa uma eleição pela primeira vez. Já Sidney Morgado Nascimento Filho havia concorrido duas vezes a vereador em Quissamã (RJ) usando o apelido “Batata”. Mas eles estão longe de ser os únicos. A criatividade se espalhou pelos estados e transformou a lista de candidatos em um catálogo de apelidos difíceis de passar despercebidos. De Bolsonaro da Shopee a Plínio Trump Alguns candidatos recorreram à semelhança física ou à associação com personalidades políticas para escolher o nome que aparecerá na urna. É o caso do produtor rural Vilmar Rigo, que viralizou nas redes sociais pela semelhança com Jair Bolsonaro e registrou a candidatura a deputado federal pelo Mato Grosso como “Bolsonaro da Shopee”. Em Minas Gerais, Plínio Vincentin Junior escolheu “Plínio Trump”, em referência ao presidente dos Estados Unidos, e concorre a deputado federal. A lista de referências a famosos também inclui nomes como Mick Jagger, candidato a deputado estadual em Goiás; Gugu Liberato, em Sergipe; Faustão, em Minas Gerais; e Xuxa do Amazonas, que disputa uma vaga no Senado pelo Amazonas. Farofa e Macarrão também estão na disputa A gastronomia ganhou espaço nas urnas. Além de Batata Neles, há Farofa, candidato a deputado federal em São Paulo. Já Macarrão aparece mais de uma vez: há um candidato a deputado federal em São Paulo e outro a deputado estadual no Pará. Em Goiás, Macarrã Do Esporte também tenta uma cadeira na Assembleia Legislativa. Profissão vira nome de urna Outra estratégia é transformar a profissão ou uma atividade conhecida pelos eleitores em identidade política. Entre os candidatos estão Richardson da Padaria e Japonês das Caçambas, que concorrem a deputado federal em São Paulo. A relação inclui ainda Neguinho Celular, na Bahia; Carmen do Taxi, no Rio Grande do Sul; Nadijane do Uber, no Ceará; e Chiquinho dos Carneiros, também no Ceará. Gordinho do Momento, Bad Boy e Cremosinho Há também uma categoria praticamente própria: a dos apelidos que poderiam facilmente ser confundidos com nomes de personagens. Gordinho do Momento concorre a deputado federal na Bahia. O apelido já era utilizado publicamente pelo candidato e acabou sendo levado para a urna. Outros exemplos são Fernando Monstrinho, em São Paulo; Bad Boy, na Bahia; Cremosinho, no Ceará; e Solitário, no Paraná. A lista fica ainda mais extensa com Quem Quem, Magrinha Elen, Fofa Borges, Reizinho, Chico Pança e Edson Piriquito. Os animais também inspiraram candidatos. Entre os registros aparecem O Bichão do MS, Dr. Vira Lata, Raposão do Povão e Cicero Animal das Pistas. Para completar a relação de nomes que dificilmente passam despercebidos estão Bomba, candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro; Faca na Bota, candidato a deputado federal no Paraná; Lambe-Lambe, também no Paraná; Trezoitão, em Pernambuco; e Zé Ninguém, no Rio de Janeiro. Bolsonaro aparece em 29 nomes de urna Além dos apelidos bem-humorados, as eleições de 2026 também registram candidatos que incorporaram nomes de políticos conhecidos. Segundo levantamento citado no material, Bolsonaro aparece no nome de urna de 29 candidatos, enquanto Lula está presente em outros dez registros, sem considerar o próprio presidente. Em comparação com as eleições gerais de 2022, houve redução nos dois casos: naquele ano eram 45 registros com Bolsonaro e 14 com Lula. No caso de Bolsonaro, sete dos 29 registros pertencem a integrantes da própria família. Entre eles estão Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Jair Renan, Renato Bolsonaro, Marcelo Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro. São Paulo concentra sete registros com o sobrenome Bolsonaro, incluindo integrantes da família e candidatos sem parentesco com o ex-presidente. Lula da Tapioca e Lula Tio do Biscoito O nome de Lula também aparece combinado com apelidos bastante peculiares. Na Paraíba, Lula da Tapioca concorre a deputado federal. Em Minas Gerais, aparecem Lula Tio do Biscoito e Carlin Lula. Há ainda Samanda de Lula, candidata ao Senado no Rio Grande do Norte; Cadu de Lula, candidato ao governo do mesmo estado; Pâmela Maranhão Lula, candidata a deputada estadual no Maranhão; e Panayotis do Lula, que disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Apesar de ajudarem alguns candidatos a ganhar reconhecimento, nomes associados a terceiros também podem gerar questionamentos na Justiça Eleitoral. O material cita o caso de Bruno Scheid, em Rondônia, cuja candidatura foi alvo de pedido de impugnação do Ministério Público Eleitoral pelo uso de “Bruno Bolsonaro Scheid”, sob alegação de risco de desinformação e de indução do eleitor ao erro. Entre estratégias eleitorais, apelidos antigos e referências bem-humoradas, uma coisa é certa: em 2026, alguns candidatos terão nomes tão difíceis de esquecer quanto os números que esperam ver digitados nas urnas.