Engajamento da iniciativa privada é vital para planejamento, diz Regina (Sílvio Luiz/AT) Uma gestão pública eficiente, conectada com as necessidades da população e ajudada por uma iniciativa privada consciente, disposta a ser um agente transformador. É dessa forma que a empresária Regina Esteves, administradora e presidente da Comunitas, organização que mobiliza lideranças empresariais e governos, atua para desenvolver projetos de alcance nacional e transformar políticas e serviços públicos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para ela, ainda há muitos desafios no cenário brasileiro, como a falta de continuidade de projetos a cada troca de governo. “Sempre que há uma mudança de gestão, vem um novo líder e ele quer reinventar, refazer e deixa de olhar benefícios que de repente vêm de gestões anteriores. Precisamos de uma visão de longo prazo, com planejamento”, avalia Regina, que esteve no Grupo Tribuna na última quinta-feira, quando participou de encontro do projeto Donas do Negócio - Agora é que São Elas! Para a presidente da Comunitas, o engajamento da iniciativa privada é essencial ao pilar de planejamento. “Quando você faz uma governança entre iniciativa privada e líderes públicos, cria um ambiente para se pensar de forma planejada no futuro, mas olhando para o passado, entendendo as lições aprendidas e o legado de outros governos. Líderes públicos e privados pensando conjuntamente o que é de bem comum, o que é de interesse da sociedade”. Contra a burocracia Regina cita o que considera um case de sucesso na mudança de mentalidade da administração pública: a adoção de metas e a meritocracia no serviço público municipal de Santos. O sistema PDR (Participação Direta nos Resultados) reúne indicadores de desempenho que dão suporte aos contratos de gestão da Prefeitura santista. O PDR começou com algumas secretarias, mas o êxito fez com que os servidores pedissem que fosse estendido a todo o quadro. “É um case não só pela inovação, mas passou a ser uma lei que foi para a Câmara. Hoje, não depende mais de um prefeito ou um secretário. É uma conquista da sociedade”. Em tempos de eleição, e com participação da Comunitas em vários estados do País, Regina entende que é necessário se debruçar em um plano nacional, ouvindo os diversos setores da sociedade, trabalhando os principais eixos que afetam o cidadão, como a área social (saúde, educação, segurança), e falando em desenvolvimento econômico sustentável. “Não tem como não pensar em olhar o equilíbrio fiscal, seja nacional, nos estados ou municípios. É algo intrínseco se a gente quiser pensar num país desenvolvido e que consiga aproveitar as oportunidades”. A presidente da Comunitas crê que, além de apoiar tecnicamente e mobilizar a sociedade e a iniciativa privada, há planos que possam estimular e alargar a visão dos governos, com metas para as próximas décadas. “Há empresas com consciência não só social, mas também econômica. Nós somos um país muito diverso, com desafios que variam de região para região. Não tem como não ter o olhar de qualquer líder privado num país como o nosso”. Passado e futuro No início de sua jornada, na década de 1990, Regina atuou ao lado da ex-primeira-dama Ruth Cardoso em iniciativas como o projeto Todos pela Educação, parte fundamental no longo processo de construção de um país melhor. “Ao lado dela, tive esse visão de que políticas públicas podem gerar um impacto enorme”. E o futuro? Ela conta que espera por um cenário onde a Comunitas, teoricamente, não precise existir, tal o grau de conexão entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil com um mesmo propósito. “Não tem recurso público, não é o público que nos contrata, é uma doação da iniciativa privada. Você beneficia a administração pública, melhora a sociedade e o ambiente de negócio. Mas o espírito é o de interesse público. Nós temos desafios sociais e econômicos que vão exigir um esforço coletivo. Que a relação entre iniciativa privada e sociedade seja permanente, até mesmo como pilar de sustentabilidade da democracia”.