Esses fenômenos, comuns em desertos, estão se tornando recorrentes em áreas brasileiras (Divulgação) Na transição entre o final da estiagem e o início da quadra chuvosa, as regiões semiáridas do Nordeste, especialmente o sertão, têm registrado um aumento de tempestades de areia, também conhecidas como haboob. Esses fenômenos, comuns em desertos, estão se tornando recorrentes em áreas brasileiras, levantando preocupações sobre a fragilidade do solo, efeitos à saúde pública e impactos na mobilidade rural. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos últimos meses, cidades do sertão nordestino têm registrado momentos em que ventos fortes levantam nuvens densas de areia, transformando o cenário em nuvem ocre e reduzindo drasticamente a visibilidade – uma realidade que preocupa moradores, produtores e especialistas. Como se formam essas tempestades? Segundo a meteorologia, os haboobs ocorrem quando ventos descendentes de tempestades (cumulonimbus) encontram solos secos e sem vegetação, erguendo partículas finas — areia e poeira — em uma parede imensa que pode atingir até 1 km de altura. O fenômeno chega junto com rajadas que podem superar 90 km/h, como registrou o Climatempo no Centro-Oeste e Nordeste. No sertão pernambucano e baiano, eventos recentes em Petrolina e Juazeiro chamaram atenção: nuvens de areia invadiram avenidas à beira do São Francisco, surpreendendo motoristas que precisaram parar os carros devido à visibilidade praticamente zero, Efeitos no sertão e população Saúde: a poeira provoca irritação nos olhos, nariz e garganta, além de agravar doenças respiratórias como asma e rinite Mobilidade: visibilidade reduzida aumenta o risco de acidentes nas estradas, prejudicando o transporte de pessoas e mercadorias. Agricultura: a erosão causada por vento pode danificar safras e degradar o solo, piorando a desertificação Infraestrutura: máquinas, equipamentos, redes elétricas e edificações ficam expostos ao desgaste precoce. Por que estão se intensificando? Especialistas apontam que o aumento da frequência desses eventos está ligado ao recorde prolongado de seca, à remoção da vegetação como mata ciliar e cobertura natural e às alterações climáticas globais . Conforme o IPCC e meteorologistas indicaram, o desmatamento agrava o desequilíbrio do regime de chuvas, tornando o solo mais vulnerável ao vento. Dicas para se proteger: Fique em locais cobertos ao perceber ventos fortes subindo poeira. Use máscara, pano ou lenço para proteger boca e nariz. Evite dirigir e, se for dirigir, tente parar em local seguro fora da via Após o evento, lave olhos e rosto para remover partículas finas e prevenir irritações ou infecções.