"O setor está caminhando a passos largos para uma produção cada vez mais sustentável”, afirma Haroldo Ferreira (Divulgação/Abicalçados) Maior do Ocidente, a indústria brasileira de calçados vive entre a expectativa de crescimento neste ano, a proteção contra a invasão de calçados asiáticos com custos mais baixos e o caminhar para uma produção cada vez mais sustentável. O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, falou para A Tribuna sobre estes e outros assuntos relacionados ao setor. Qual a importância atual do segmento no cenário industrial brasileiro? Hoje, contando toda a cadeia produtiva do calçado, do fornecedor ao calçadista, empregamos mais de 1 milhão de pessoas. Somos agentes econômicos fundamentais em 12 estados brasileiros. Hoje, a indústria calçadista brasileira é a maior do Ocidente, atrás apenas de três países da Ásia (China, Índia e Vietnã). Quais as perspectivas do setor para este ano em termos econômicos? A expectativa é de crescimento em 2025. Depois de subir 4,3% em 2024, alcançando uma produção de mais de 929 milhões de pares, para 2025 a estimativa é de um novo incremento, entre 1,4% e 2,2%, com uma produção entre 942 milhões e 949 milhões de pares. É a mais alta produção em 11 anos. Dos pares produzidos, cerca de 100 milhões devem ser exportados, uma projeção de incremento entre 1,2% e 4,1%. Como a Abicalçados tem colaborado com o setor? Quais as iniciativas mais importantes? Mais do que uma representante institucional e política, frente em que atua continuamente na defesa de pleitos relevantes para o setor, como desoneração tributária, ampliação do crédito, reforma trabalhista, melhorias logísticas, entre outros, a Abicalçados atua hoje também como uma alavanca para a qualificação setorial. Como isso acontece? Nesse contexto, a entidade trabalha, cada vez mais, com foco na criação de uma cultura de design e sustentabilidade, que valorize o calçado brasileiro não somente pelos materiais, mas pelo seu processo diferenciado de desenvolvimento. Como enfrentar desafios como as importações? Quais medidas têm sido tomadas para proteger os empregos e investimentos locais? A Abicalçados vem monitorando e alertando o Governo Federal, através da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), sobre o problema da invasão de calçados asiáticos com custos muito abaixo dos praticados no mercado brasileiro. É questão de preservar não somente as empresas, mas os quase 300 mil empregos gerados por ela. Já solicitamos que medidas como criação de cotas de importação ou ampliação do antidumping (medidas criadas para combater o dumping e impedir que empresas dominem sozinhas um setor da economia) sejam tomadas de forma urgente para frear essa invasão no nosso varejo, onde ficam mais de 85% das vendas da indústria calçadista nacional. Como projetar o setor em termos de sustentabilidade? O setor calçadista brasileiro está caminhando a passos largos para uma produção cada vez mais sustentável. Temos uma pesquisa, divulgada no nosso Relatório Indústria de Calçados - Brasil 2025, que aponta que 93% das empresas respondentes possuem um trabalho de destinação ambientalmente adequada dos seus resíduos produtivos; 78% das indústrias executam controle das substâncias restritas; 83% das indústrias consomem energia elétrica 100% oriunda de fontes renováveis; entre outros pontos. Há parcerias da Abicalçados nesse sentido? Para que isso funcione, claro que existe um caminho a evoluir e é por isso que, desde 2013, a Abicalçados mantém, em parceria com a Assintecal (associação que representa os fornecedores de materiais para calçados), o Origem Sustentável. O programa é o único do mundo a certificar empresas com processos produtivos sustentáveis do ponto de vista ambiental, econômico, social e cultural. Atualmente, temos mais de 110 empresas certificadas ou em processo de certificação. Como projetar o setor para os próximos anos? A indústria calçadista, apesar de tradicional, vem se adaptando aos novos tempos, com investimentos cada vez mais robustos em tecnologia e automação para aumento da produtividade, e sustentabilidade - tanto em processos quanto em materiais. No futuro, teremos uma nova configuração do mercado e estamos preparando o setor para esse novo momento.