(Divulgação/Lu Mattos) Com a proximidade do Carnaval e a circulação de notícias nas redes sociais sobre um possível “surto de Nipah”, cresce a preocupação pública sobre a chegada de uma nova doença perigosa ao Brasil. Entenda os fatos científicos e a avaliação das autoridades de saúde. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é o vírus Nipah? O Nipah é um vírus zoonótico — ou seja, que circula entre animais e seres humanos — identificado pela primeira vez na Malásia em 1999. A transmissão ocorre principalmente por meio de contato com animais infectados, especialmente morcegos frugívoros da família Pteropodidae, e, em alguns casos, pode ocorrer entre pessoas por contato próximo e prolongado. Os sintomas variam desde sinais leves, como febre, dor de cabeça e mal-estar, até quadros graves de encefalite (inflamação do cérebro) e problemas respiratórios. A taxa de mortalidade entre os casos confirmados em surtos anteriores varia entre 40% e 75%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Casos recentes na Ásia e causa da preocupação Registros mais recentes de casos de Nipah ocorreram na Índia, onde profissionais de saúde foram diagnosticados com a infecção. Isso levou a maior vigilância internacional e a circulação de alertas nas redes sociais, especialmente associando o risco ao movimento de pessoas durante o Carnaval de 2026. Brasil — há risco real? As autoridades de saúde brasileiras e organismos internacionais reforçam que, no cenário atual, o risco de o vírus Nipah chegar ao Brasil ou causar uma epidemia é considerado baixo. Segundo o Ministério da Saúde, não há nenhum caso suspeito ou confirmado de Nipah no Brasil, e o país não registra circulação do vírus fora da Ásia. Os protocolos de vigilância epidemiológica brasileiros — em parceria com instituições como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — seguem monitorando agentes patogênicos, mas sem indicação de ameaça atual ao território nacional. Especialistas também destacam que a transmissão do Nipah está fortemente associada à presença de espécies específicas de morcegos frutívoros que não existem naturalmente no Brasil, diminuindo ainda mais a chance de um surto local. Sintomas e como se manifesta a doença O Nipah pode causar sintomas iniciais similares aos de outras viroses: Febre alta Dor de cabeça Tosse e falta de ar Dificuldade para respirar Em casos mais graves, a infecção pode evoluir para confusão mental, sonolência, convulsões e encefalite, condições que exigem atendimento médico imediato. Existe tratamento ou vacina? Até o momento, não existe tratamento antiviral específico nem vacina licenciada contra o Nipah. O manejo da doença é feito por meio de cuidados de suporte, como hidratação, controle de sintomas e suporte respiratório ou neurológico quando necessário. Especialistas e autoridades de saúde concordam que não há motivo para pânico no Brasil com relação à doença neste momento. Embora o vírus seja considerado perigoso em surtos localizados, especialmente em partes do Sudeste Asiático, o risco de disseminação internacional permanece baixo e não há evidências de transmissão no Brasil ou indicação de surto ligado ao Carnaval de 2026.