[[legacy_image_292810]] O transplante de coração do apresentador Fausto Silva, de 73 anos, repercutiu pelas redes sociais, levantando diversas dúvidas sobre o procedimento. Faustão passou por um transplante cardíaco no domingo. Segundo a Central de Transplantes do Estado, ele ocupava o segundo lugar na fila de espera por um coração. Mas, afinal, como funciona a fila de espera para as cerca de 66 mil pessoas que esperam um transplante no Brasil e o que é preciso fazer para se tornar um doador de órgãos? O presidente do Grupo de Apoio aos Portadores de Hepatite C da Baixada Santista, Jeová Pessin Fragoso, explica que o primeiro passo é conversar com a família, principalmente com os parentes de primeiro e segundo graus (pais, filhos, irmãos, avós, netos ou cônjuge), pois é “somente ela quem vai poder autorizar”, uma vez que a legislação brasileira só permite o transplante após a morte quando a família autoriza o procedimento. A autorização por outro grau de parentesco só é válida por ordem judicial. Porém, Jeová Pessin Fragoso afirma que é “complicado”, já que cada órgão tem um tempo máximo para ser retirado do doador e ser implantado no receptor. O tempo de isquemia (período que cada órgão resiste à falta de circulação e oxigenação sanguínea) do coração, por exemplo, é de 4 horas. No Brasil, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) são responsáveis por coordenar as doações. Para ser doador, certifique-se de estar registrado e manter sua documentação atualizada. Porém, é preciso entender que a documentação é apenas uma ‘formalidade’: mesmo que esteja registrado, os familiares serão consultados sobre a doação. Fila de espera e prioridade“A pessoa que precisa de um transplante entra na fila para receber um órgão quando o médico cadastra o paciente na Secretaria Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde. Esse serviço funciona como uma central nacional que elabora uma fila única e conecta com as centrais estaduais de transplante”, afirma o presidente do Grupo Esperança. Fragoso explica que quando há a identificação de um potencial doador, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) é acionada e, assim, inicia o processo de retirada e transporte para os centro transplantadores onde estão os receptores. O critério de prioridade utilizado na fila de espera para um transplante é por gravidade. “No meu caso, fiz transplante de fígado em 2014 por conta de hepatite C. O critério de gravidade que me colocou no topo da lista é chamado Meld e medido por uma fórmula matemática que incluiu resultados de alguns exames de sangue”, explica.