Muita gente que recebe uma quantia inesperada na conta acredita que pode "ficar com o dinheiro", mas isso pode gerar problemas sérios na Justiça ( Matheus Tagé/ AT ) O Pix se tornou o meio de pagamento mais usado no Brasil — com mais de 160 milhões de usuários ativos e bilhões de reais movimentados todos os meses, segundo o Banco Central. Com tanta agilidade, também aumentaram os casos de transferências feitas por engano, o famoso "Pix errado". Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Muita gente que recebe uma quantia inesperada na conta acredita que pode "ficar com o dinheiro", mas isso pode gerar problemas sérios na Justiça. Quem não devolve o valor pode ser processado por enriquecimento ilícito, apropriação indébita e até responder criminalmente. Nesta reportagem, explicamos o que diz a lei, o que fazer ao receber um Pix indevido, quais os riscos jurídicos e como se proteger. Casos reais mostram que manter Pix errado pode sair caro Um exemplo recente é o de uma mulher no Paraná que recebeu R\$ 2 mil via Pix por engano. Mesmo sendo informada do erro, ela se recusou a devolver o dinheiro. Resultado: foi condenada na Justiça a restituir o valor, pagar multa e arcar com os custos processuais. Segundo decisão do juiz, “quem recebe quantia que sabe ser indevida, e mesmo assim não devolve, comete ato ilícito e pode ser responsabilizado civil e criminalmente”. O que diz a lei sobre Pix enviado por engano? Embora o Pix seja uma tecnologia nova, as regras que envolvem erros de transferência seguem princípios antigos do Código Civil e do Código Penal: Código Civil (Art. 876): Quem recebe o que sabe não ser devido, é obrigado a restituir. Código Penal (Art. 169): Apropriar-se de coisa alheia vinda por erro pode ser crime, com pena de até 1 ano de detenção e multa. Ou seja: o simples fato de usar ou não devolver um Pix indevido pode gerar consequências legais. Recebi um Pix errado. O que devo fazer? Se você acorda com uma quantia inesperada na conta, a primeira reação deve ser a verificação. Veja o passo a passo recomendado por especialistas: 1. Confirme a origem da transferência Verifique os dados da transação no extrato do seu banco. É possível visualizar nome e parte do CPF/CNPJ de quem enviou o valor. 2. Não use o dinheiro Evite movimentar ou gastar o valor recebido. Isso pode ser interpretado como má-fé. 3. Entre em contato com o banco Informe a instituição financeira imediatamente. Eles poderão intermediar o contato com o remetente e instruir a devolução segura. 4. Espere a solicitação formal de devolução O Pix possui uma função chamada "devolução", usada principalmente por empresas, mas que pode ser solicitada manualmente com autorização do recebedor. 5. Registre tudo Se possível, tire prints e salve e-mails ou mensagens trocadas com o banco ou remetente. Isso pode ser útil se o caso for judicializado. E se eu devolver e for vítima de golpe? Essa é uma dúvida comum. Golpistas têm usado o Pix errado como pretexto para aplicar fraudes. Para evitar isso: Nunca transfira valores sem confirmar com seu banco a origem da operação; Solicite que a devolução seja feita diretamente pelo canal do banco, e não por meio de chaves enviadas por WhatsApp ou redes sociais; Quando em dúvida, registre boletim de ocorrência antes de tomar qualquer atitude. O que fazer se for processado após receber um Pix indevido? Se você for acionado na Justiça por ter recebido e não devolvido um Pix errado, procure um advogado imediatamente. A depender do valor, o caso pode ser julgado no Juizado Especial Cível, com audiências rápidas. As decisões judiciais têm sido, em sua maioria, favoráveis ao remetente, desde que comprovado o erro e a tentativa de recuperar o valor. Posso sofrer consequências mesmo sem má-fé? Sim. Mesmo que o erro tenha sido do remetente, o receptor que se recusa a devolver o valor pode ser considerado responsável legalmente, principalmente se houve ciência do engano. A recomendação de especialistas é clara: devolva o valor e evite problemas judiciais. Entenda a diferença entre Pix errado e golpe do Pix Pix errado: Transferência legítima feita para chave errada ou conta trocada. Golpe do Pix: Envolve fraude ou engano proposital com intenção de roubo. Nos dois casos, o ideal é agir com cautela, não movimentar o dinheiro e buscar ajuda do banco ou das autoridades.