A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro das atenções nacionais após ser presa pela segunda vez nesta quinta-feira (21), durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A prisão ocorreu no âmbito da Operação Vérnix, que investiga movimentações financeiras suspeitas envolvendo uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada pelas autoridades como braço financeiro da facção criminosa. Deolane ganhou notoriedade nacional em 2021, após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin. O artista morreu aos 23 anos depois de cair da varanda de um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A investigação concluiu que a morte foi acidental. Após a repercussão da tragédia, Deolane ampliou fortemente sua presença nas redes sociais, participando de programas de televisão, campanhas publicitárias e negócios ligados ao universo digital e às plataformas de apostas online. Atualmente, a influenciadora soma cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram e costuma compartilhar uma rotina marcada por mansões, carros de luxo, viagens internacionais, passeios de helicóptero e jatinhos particulares. A ostentação chamou a atenção das autoridades. Em setembro de 2024, Deolane foi presa pela primeira vez durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais relacionados a casas de apostas e bets. Na ocasião, as investigações apontaram que a empresária teria investido cerca de R\$ 65 milhões em imóveis de luxo nos últimos anos. Ela ficou presa por cinco dias no Recife antes de conseguir habeas corpus e responder ao processo em liberdade, sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a investigação da Operação Integration, Deolane era suspeita de lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e ligação financeira com empresas investigadas no setor de apostas online. A defesa negou irregularidades e alegou perseguição e abuso de autoridade. Até hoje, não houve condenação definitiva no caso. Agora, a influenciadora volta a ser alvo de uma investigação ainda mais ampla. De acordo com o MP-SP, a nova operação identificou movimentações milionárias ligadas ao PCC, incluindo depósitos em contas físicas e jurídicas atribuídas a Deolane e empresas relacionadas a ela. As apurações apontam que entre 2018 e 2021 a influenciadora recebeu mais de R\$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R\$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro. Os investigadores afirmam ainda que empresas ligadas à influenciadora receberam quase R\$ 716 mil de uma empresa considerada suspeita, sem comprovação clara da origem dos valores ou prestação de serviços compatíveis. A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R\$ 27 milhões ligados a Deolane Bezerra, valor que, segundo as autoridades, teria indícios de lavagem de dinheiro. Além dela, a operação também teve como alvos familiares de Marcola, preso há anos no sistema penitenciário federal, e pessoas apontadas como operadores financeiros da organização criminosa. Segundo a investigação, Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil na quarta-feira (20).