O alerta está apenas no alimento, mas também na forma de preparo (Divulgação / Freepik) O churrasco é uma paixão nacional. Porém, nem toda carne combina com a grelha. Embora bifes, frangos e cortes tradicionais sejam adequados para esse tipo de preparo, alguns produtos cárneos processados, como salsichas, linguiças, bacon e hambúrgueres industrializados, não devem ser expostos diretamente ao fogo alto. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Pesquisas científicas e alertas de órgãos de saúde reforçam que o calor intenso pode transformar esses alimentos em potenciais vilões para a saúde. O que acontece quando carnes processadas são grelhadas? Carnes processadas já passam por etapas de cura, defumação, adição de conservantes e gorduras extras. Ao serem expostas a altas temperaturas, podem liberar substâncias prejudiciais, como: Aminas heterocíclicas (AHC): formadas quando proteínas da carne reagem ao calor elevado; Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs): liberados pela gordura que pinga no carvão e retorna como fumaça tóxica; Nitrosaminas: compostos que podem se formar a partir de conservantes à base de nitrito e nitrato, usados na preservação de embutidos. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), carnes processadas são classificadas como carcinogênicas para humanos (Grupo 1), ou seja, há evidências sólidas de que o consumo frequente está associado ao risco aumentado de câncer colorretal. O que dizem os especialistas? Nutricionistas e médicos alertam que a combinação de aditivos químicos presentes em embutidos com a formação de compostos tóxicos durante o preparo na brasa torna o consumo ainda mais preocupante. “A carne processada já é, por si só, um alimento que deve ser consumido com moderação. Quando exposta ao fogo direto, o risco é potencializado, pois ocorre a formação de substâncias que estão associadas a doenças crônicas”, explica a nutricionista funcional Maria Fernanda Lopes. Alternativas mais seguras de preparo Isso não significa que embutidos estejam proibidos de vez, mas a forma de preparo faz diferença. Veja opções mais seguras: Assar no forno em temperatura moderada, evitando contato direto com chama ou fumaça; Cozinhar em água ou vapor, que reduz a formação de compostos nocivos; Grelhar em frigideira antiaderente em fogo baixo, sem deixar queimar; Sempre acompanhar com verduras, legumes e fibras, que ajudam a reduzir os efeitos de substâncias tóxicas no organismo. O consumo no dia a dia De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é limitar o consumo de carnes processadas, independentemente da forma de preparo. Isso vale especialmente para salsichas, presuntos, mortadelas, linguiças e nuggets. Já para quem não abre mão do churrasco, a dica é priorizar carnes frescas e variar com opções mais saudáveis, como frango, peixe e cortes magros de boi ou porco. O alerta sobre não grelhar carnes processadas reforça um ponto essencial: o problema não está apenas no alimento, mas também na forma de preparo. Se por um lado a brasa realça o sabor, por outro pode multiplicar riscos à saúde quando se trata de embutidos e industrializados. Portanto, para um churrasco mais saudável, o ideal é manter os embutidos fora da grelha e apostar em cortes frescos e temperos naturais. Assim, é possível celebrar com segurança, sem abrir mão do sabor.