A presença de sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento do intestino são sinais que a maioria dos brasileiros sabe que não devem ser ignorados. Ainda assim, quatro em cada dez pessoas que já apresentaram sangramento nas fezes não procuraram atendimento médico imediatamente, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (20) pelo A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. O levantamento ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais em todo o País e mostrou que 80% dos entrevistados reconhecem como graves dois dos principais sinais de alerta do câncer colorretal: sangue nas fezes e alteração do hábito intestinal por mais de um mês. Apesar disso, o conhecimento nem sempre se transforma em atitude. Entre os entrevistados que disseram já ter percebido sangue nas fezes, apenas 59% buscaram atendimento médico imediatamente. Os demais preferiram esperar o sintoma desaparecer, recorreram a remédios caseiros, se automedicaram ou pesquisaram informações na internet antes de procurar um profissional de saúde. Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, se desenvolve no cólon ou no reto e, na maioria das vezes, surge a partir de pólipos — pequenas lesões que podem evoluir lentamente ao longo dos anos até se tornarem malignas. Quando identificado nas fases iniciais, apresenta altas chances de cura. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 53.810 novos casos por ano de câncer colorretal no triênio 2026-2028. Atualmente, ele é o segundo tipo de câncer mais incidente no País, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Quais sintomas merecem atenção? Nos estágios iniciais, o câncer colorretal pode não provocar sintomas. Quando aparecem, os principais sinais incluem: sangue nas fezes; alteração persistente do funcionamento do intestino (diarreia ou prisão de ventre); dor abdominal frequente; sensação de evacuação incompleta; perda de peso sem causa aparente; anemia; cansaço excessivo. Especialistas ressaltam que esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer. Eles também podem estar relacionados a doenças benignas, como hemorroidas, fissuras anais ou inflamações intestinais. Ainda assim, a recomendação é procurar avaliação médica sempre que os sinais persistirem, para que a causa seja investigada. Exame preventivo ainda é pouco conhecido Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é o desconhecimento sobre os exames de rastreamento. A pesquisa revelou que apenas 67% dos brasileiros conhecem o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes, utilizado para identificar sangramentos invisíveis a olho nu e que pode indicar alterações no intestino. O estudo reforça que ampliar o acesso à informação sobre os métodos de rastreamento é tão importante quanto conscientizar a população sobre os sintomas da doença. Além desse exame, a colonoscopia continua sendo considerada o principal método para identificar pólipos e lesões precoces, permitindo inclusive a retirada dessas alterações antes que evoluam para um tumor. Estilo de vida influencia o risco Embora fatores hereditários possam aumentar o risco da doença, especialistas destacam que hábitos saudáveis ajudam na prevenção. Entre os fatores associados ao desenvolvimento do câncer colorretal estão alimentação rica em carnes processadas e carnes vermelhas em excesso, baixa ingestão de fibras, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada contribuem para reduzir esse risco. A principal orientação dos especialistas é simples: perceber sangue nas fezes ou mudanças persistentes no funcionamento do intestino não significa, necessariamente, um diagnóstico de câncer, mas também não deve ser encarado como algo normal. Quanto mais cedo a investigação for iniciada, maiores são as chances de detectar a doença em estágios iniciais e obter sucesso no tratamento.