[[legacy_image_104027]] Seja amado ou odiado, o educador e filósofo Paulo Freire é sempre contemporâneo. Ele, que nunca foi ou pretendeu ser unânime, é lembrado por seu centenário de nascimento, completado neste domingo (19). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em seu legado, está o reconhecimento internacional como teórico de uma Pedagogia em que o aluno não é um simples receptor de conteúdos, mas um indivíduo que deve recuperar sua humanidade e superar a condição desfavorável em que está. Patrono da Educação Brasileira, Freire acreditava que o educando poderia construir sua própria educação, voltada à realidade e superior a um modelo alienante, desde a alfabetização, o que gerou uma de suas principais obras, o livro Pedagogia do Oprimido. Atualmente, segundo o cientista político e especialista em Educação Carlos Cardoso de Almeida, o educador tem sido criticado principalmente por razões político-partidárias, por ser ligado ao socialismo cristão e ter sido filiado ao Partido dos Trabalhadores. “Independentemente de concordarmos ou não com alguns pontos da vida de Freire, existe algo que é inegável: ele é o educador brasileiro com maior número de homenagens no mundo e deixou uma bela história para todo o mundo”. Quem concorda com ele é a doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Angélica Ramacciotti. Ela, cuja tese de doutorado trata da possibilidade de utilizar os métodos de Freire no Ensino Superior, explica que Freire é um clássico mundial. Nascido em Pernambuco, ele foi professor das universidades de Harvard, Cambridge e teve mais de 40 títulos de doutor honoris causa em universidades como Oxford, na Inglaterra, e Coimbra, em Portugal, tornando-se mundialmente reconhecido como um dos maiores intelectuais do século XX. “Freire é um dos três teóricos mais citados do mundo, segundo pesquisa da London School of Economics. Homenagens, prêmios, depoimentos, entrevistas e produções a partir do legado freireano crescem a cada dia. Em 2012, foi declarado Patrono da Educação Brasileira”, lembra ela. Para Angélica, o legado de Paulo Freire vai além de suas obras, que permanecem atuais e necessárias, pois se materializam em práticas e estudos de quem reiventa o educador sem abrir mão de seus princípios. “A pedagogia freireana rompe com práticas acríticas, domesticadoras e supera a lógica autoritária da chamada ‘educação bancária’, considerando todos como sujeitos do processo de ensino-aprendizagem. A educação é concebida como um processo permanente de ação/ reflexão/ ação que desvela a realidade com o objetivo de transformá-la em direção à dignidade e à justiça social”. [[legacy_image_104028]] DemocraciaAngélica ressalta que as contribuições de Freire são fundamentais, importantes e atemporais. “Em tempos de constantes ataques à democracia e extremismos, o aprofundamento dos estudos da vida e da obra de Freire tornam-se ainda mais necessários. Ele diz que o diálogo se faz entre diferentes e, hoje em dia, estamos carentes de diálogo. As pessoas partem logo para a agressão”. O sociólogo Pedro Paulo Amorim diz que são tempos de ler, reler e aprender com Paulo Freire. Quem ainda não conhece o educador, ele indica que se comece com a obra Pedagogia do Oprimido. “Essa obra nos leva a uma reflexão sobre o tipo de educação que temos praticado, mostrando que a melhor maneira de se aprender e ensinar é, juntos, com diálogo, amor e criticidade, a partir da inquietude. da reflexão e da esperança em tempos melhores”.