Mais importante corredor cultural de São Paulo, a Avenida Paulista ganhará um novo espaço dedicado à arte e experiências imersivas em agosto. O Nubank Arte Lab vai ocupar uma área de 2.700 m2 do mezanino do Conjunto Nacional, icônico endereço da capital que já abriga o Blue Note, o Jardim Nacional, o Cine Marquise, o Teatro YouTube e a Livraria Drummond - que, inclusive, vai abrir uma segunda loja no local em breve. A inauguração será com a exposição O Mundo de Tarsila, mostra inédita que vai promover uma experiência sensorial e interativa por meio do universo criativo da pintora modernista Tarsila do Amaral (1886-1973). São esperados 200 mil visitantes "Buscávamos um grande artista brasileiro para marcar a inauguração e escolhemos Tarsila para também comemorar os 140 anos de seu nascimento", afirma Felipe Reif, da Deeplab Project, empresa que se associou à Aventura Produções na concepção do empreendimento. O Nubank Arte Lab, porém, não será exclusivo para artes visuais. "Pretendemos dar espaço também para literatura, música, séries, filmes, sempre com experiências imersivas", afirma o empresário e produtor cultural Luiz Calainho, fundador da Aventura com Aniela Jordan. A dupla, ao lado de Giulia Jordan, será responsável pela curadoria do espaço. "É uma nova forma de entretenimento que chega ao Brasil, que usa alta tecnologia em grandes exposições, a exemplo do que já acontece no Superblue em Miami, no Atelier des Lumières em Paris, no Mercer Labs em Nova York e no Frameless em Londres, todos comprovando que, seja qual for a tecnologia, jamais vai vencer a experiência presencial", diz Calainho. Como vai ser o Nubank Arte Lab Logo na entrada e no saguão, o público verá instalações do designer e artista visual Muti Randolph em painéis de glass led, transparentes e capazes de ter múltiplos designs ‘flutuando’ no ambiente. A área expositiva será composta por três ambientes complementares e modulares. A sala multiuso terá 777,43 m² e poderá receber instalações artísticas, exposições, eventos, palestras, workshops e outras ativações. Além dela, haverá duas salas imersivas, com acessos independentes para possibilitar a realização de duas mostras simultâneas, com projeções digitais, som envolvente e narrativas audiovisuais que dissolvem as fronteiras entre arte e tecnologia Em uma dessas salas será instalada uma parede de LED com 10 metros de comprimento e o teto todo de espelho. Um bistrô completa o projeto do Nubank Arte Lab, assinado pelo escritório Jacobsen Arquitetura. ‘O Mundo de Tarsila’ quer conversar com o público jovem A reprodução de uma conhecida figura com pés e mãos gigantes e uma cabeça pequena vai ornamentar a fachada do Conjunto Nacional e esta versão aumentada do quadro Abaporu será o cartão de visitas da exposição O Mundo de Tarsila. Em mais de dez salas organizadas no espaço expositivo, o universo visual de Tarsila será mostrado a partir da união do design com tecnologia, resultando em um cenário digital e mais sensorial. "A sala imersiva será a mais moderna, com um projetor que tanto escurece o ambiente como poderá usar a paleta de cores de Tarsila", diz Reif. A exposição vai ocupar 1.300 m² da área total do espaço e não vai mostrar nenhuma obra original. Projeções de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora e dispositivos interativos com direito a efeitos especiais e até aromas vão guiar o visitante em uma jornada sensorial por 40 obras da artista, entre pinturas, desenhos, esboços e ilustrações. Uma das mais importantes artistas brasileiras, Tarsila do Amaral tornou-se conhecida por pinturas, cuja estética se confunde com uma representação do Brasil - a paisagem, a gente, as festas, o trabalho e os costumes - e por ter se notabilizado por quadros icônicos, como Abaporu (1928), que foi um presente para seu então marido Oswald de Andrade. Ela estava em busca da imagem certa, da cor perfeita, e encontrou em um autorretrato. Poucas pessoas sabem que o Abaporu é fruto da visão que ela teve de si mesma olhando em um espelho que, por estar torto, mostrava seu corpo deformado, com pés enormes. A obra, cujo título vem do tupi e significa "homem que come gente", tornou-se registro da Antropofagia modernista nacional. Embora estivesse em Paris quando aconteceu a Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, Tarsila "descobriu o modernismo" em seu retorno e começou a pintar com cores mais ousadas e pinceladas mais marcadas, como se observa em A Negra e A Caipirinha, ambas telas de 1923. E a abordagem geométrica da iconografia brasileira origina a pintura Pau-Brasil (1924). "Queremos uma mostra imersiva que converse com o público, especialmente o mais jovem, nosso principal foco", comenta Paola Montenegro, presidente da Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos. Ela divide a curadoria com a pesquisadora e curadora de exposições imersivas Juliana Miraldi. Monitores vão ajudar a contextualizar a trajetória de Tarsila e estão previstas, ainda, visitas guiadas. "Teremos também palestras com pesquisadoras sobre temas específicos", acrescenta João Giani Vasconcellos, fundador da Live Idea, também parceira do projeto. "A exposição não pretende substituir as visitas a museus, mas despertar o interesse pela artista e produzir experiências que poderão levar o público aos museus", afirma Júlia Torres, diretora de Marketing e Comunicação da Aventura. "É possível contar uma história, mesmo com tecnologia avançada." Nesse sentido, Felipe Reif defende que as inovações técnicas apareçam de forma discreta para os visitantes. "A tecnologia tem poder de formação de público, mas não precisa ser percebida, principalmente em momentos como caminhar por um chão que se mexe", afirma ele, garantindo que o conteúdo audiovisual da mostra foi desenvolvido por artistas visuais e não por Inteligência Artificial. "A proposta é utilizar a tecnologia como meio de ampliação da experiência artística, e não como substituição da criação." Ingressos começam a ser vendidos no dia 17 O Mundo de Tarsila tem previsão de abertura no dia 3 de agosto com expectativa de ficar dois meses e meio em cartaz. Ela poderá ser visitada de quarta a segunda e também nos feriados, de 10h às 22h. Os ingressos começam a ser vendidos pela Fever no dia 17, apenas para clientes Nubank, e a partir do dia 24 para o público geral De sexta a domingo e feriados, ele vai custar R\$ 100. Nos demais dias, R\$ 80.