"O que mata o País é o Custo Brasil. O que vai fazer a mudança da indústria é a redução disso”, afirma Jorge Lima (Vanessa Rodrigues/AT) Engenheiro de formação e vindo do mercado privado, o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Jorge Lima, defende de forma enfática a participação do empresariado no crescimento das cidades, alegando que o setor público foi feito para facilitar isso. Ele conversou sobre este e outros temas com A Tribuna. A entrevista exclusiva foi feita durante o Fórum Esfera 2025, realizado no início deste mês, no Hotel Jequitimar, em Guarujá. Qual é o rumo atual do Estado de São Paulo em termos de desenvolvimento econômico? Sou engenheiro. Então falo que gosto de olhar números e fatos em cima de números. Tínhamos que trazer para São Paulo R\$ 400 bilhões em quatro anos. Estamos com R\$ 515 bilhões sem nenhum incentivo. Tínhamos como meta empregar um milhão de pessoas, formais, em quatro anos. Atingimos, até fevereiro, 1,2 milhão. Tínhamos a intenção de abrir 500 mil empresas em São Paulo, também sem ser Microempreendedor Individual (MEI). Até dezembro passado já tínhamos 675 mil. Vamos fazer nova medição neste semestre. Saímos de um Produto Interno Bruto (PIB) de R\$ 2,725 trilhões para R\$ 3,480 trilhões. Nossa renda per capita saiu de R\$ 2.148,00 para R\$ 2.662.00. Os números demonstram que o desenvolvimento econômico está vindo. E uma das determinações do governador é olhar o Estado como um todo. Estamos diminuindo a concentração que existia antes, porque estamos olhando muitas outras regiões que tinham PIBs menores. Em termos econômicos, até em cima disso, o que é melhor? Valorizar as vocações já existentes, despertar outras ou equilibrar essas duas partes? Acredito muito nas três. Já fui até agora a 376 cidades. Quando vou, sento com os empresários, com o prefeito, apresento nosso plano e, depois, o meu diretor volta e desenha um plano. Nesta hora, coloco minha visão sobre a cidade, que são as vocações. Em algumas, as vocações estão consolidadas, em outras vou ter que despertar a vontade de fazer e a terceira é o misto, descobrir novas. Às vezes há segmentos que estão em queda no Estado e não adianta insistir. Estamos chamando os empresários para o jogo porque, no fundo, são eles que colocam dinheiro. O setor público não é para fazer desenvolvimento econômico, mas sim para facilitar. A Baixada Santista tem o Polo Industrial de Cubatão e o Porto de Santos como símbolos da pujança econômica da região, do Estado e do País. Em quais outros aspectos a Baixada pode se desenvolver economicamente? A primeira coisa que eu defendo muito é o turismo. Há um potencial enorme para isso. As praias são lindas. O turismo é uma área que vale a pena voltarmos a olhar com um ângulo de cadeia econômica. O segundo ponto é que a região não pode ser refém do Porto de Santos, apesar da enorme importância. Temos que olhar um outro tipo de desenvolvimento: preciso de área para trazer novas empresas. Cubatão é uma referência mundial de recuperação ambiental, mas precisamos de área. É algo que estamos conversando muito. O outro ponto, do qual sou defensor e acho que mudaria a Baixada, é a Zona de Processamento de Exportação (ZPE). As prefeituras têm comprado a ideia e há perfil para isso. A reindustrialização é muito defendida pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. O que é possível fazer para atrair mais indústrias para o Estado de São Paulo e em quais setores? Fizemos uma parceria com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em que desenvolvemos um modelo que vamos começar a implementar em uns 30, 45 dias, que é a análise de uma política industrial. Ou seja, olhar região por região, analisar cada segmento e ver quais têm melhorias, em quais vamos apostar e aqueles que precisam se transformar. É análise metodológica, é um plano de reindustrialização, mas não filosófico. Vim do mercado privado. Já se fala há uns 30 anos que a indústria no Brasil vai ser recuperada. O que mata o País é o Custo Brasil. O que vai fazer a mudança da indústria é a redução disso. Mas só vai dar certo quando houver um presidente corajoso que fale: eu vou fazer. E comande esse processo. Caso contrário, esquece.