Olire, medicamento contra a obesidade lançado pela farmacêutica EMS. (Divulgação / EMS) Uma nova geração de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade começa a mudar o cenário no Brasil. Nesta semana, começou a ser vendida a primeira caneta contra obesidade produzida por uma farmacêutica nacional. Com preço mais acessível e promessa de ampliar o acesso ao tratamento, o lançamento marca uma nova fase no combate ao excesso de peso, condição que afeta mais de 6 em cada 10 brasileiros adultos, segundo o Ministério da Saúde. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que são as canetas contra a obesidade? As chamadas “canetas” são medicamentos aplicados por via subcutânea (como as insulinas para diabéticos), geralmente uma vez ao dia ou por semana, que ajudam a reduzir o apetite e controlar o peso. Elas simulam a ação de hormônios que atuam no sistema digestivo e cerebral, promovendo sensação de saciedade por mais tempo. Até agora, essas canetas eram, em sua maioria, importadas e com preços elevados, dificultando o acesso de boa parte da população. Os nomes mais conhecidos são Saxenda e Ozempic, que chegaram a custar entre R\$ 800 e R\$ 1.300 por unidade. Qual é a novidade no Brasil? A farmacêutica EMS lançou oficialmente na última segunda-feira (4) sua primeira caneta injetável para o tratamento da obesidade: a semaglutida injetável de fabricação brasileira. O produto é o primeiro similar nacional ao Ozempic, já aprovado pela Anvisa, e representa um divisor de águas em termos de acessibilidade e produção local. O remédio será vendido sob prescrição médica e a expectativa é que o preço seja até 50% mais barato do que as versões importadas. Como age no organismo? A substância semaglutida pertence à classe dos agonistas do GLP-1, um tipo de hormônio que age: retardando o esvaziamento gástrico, controlando os níveis de glicose no sangue, e enviando sinais de saciedade ao cérebro. Em outras palavras, o paciente sente menos fome, come menos e, com o tempo, perde peso — desde que o uso da medicação seja associado a dieta equilibrada, prática de atividade física e acompanhamento médico. ara quem é indicada? A caneta brasileira, assim como suas similares, é indicada para: Pessoas com obesidade diagnosticada (IMC ≥ 30), Ou com sobrepeso (IMC ≥ 27) associado a comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão ou dislipidemia. Não é um remédio indicado para fins estéticos ou para quem deseja perder “apenas alguns quilos”. Quanto custa a caneta nacional? O medicamento deve estar disponível inicialmente em farmácias hospitalares e redes privadas, com previsão de chegar às drogarias de grande porte ainda neste semestre. segundo a farmacêutica. O preço sugerido para o consumidor final deve ficar em torno de R\$ 400 a R\$ 600, dependendo da dosagem e do local de venda. Isso representa uma redução de até 60% em comparação com versões importadas — o que pode democratizar o acesso ao tratamento da obesidade no país. Obesidade no Brasil: um problema de saúde pública Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 60% dos adultos brasileiros estão com sobrepeso ou obesidade. A condição está diretamente ligada a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, AVC e até alguns tipos de câncer. A obesidade também foi um dos fatores de risco mais relevantes para casos graves de Covid-19. Nesse contexto, o acesso a tratamentos eficazes e seguros é visto por especialistas como uma ferramenta essencial de saúde pública.