[[legacy_image_9920]] A cada 19 horas um gay, travesti, lésbica ou transexual é assassinado ou se suicida no Brasil por ser vítima de homofobia. Na maioria dos casos, essas mortes no País campeão em assassinatos de LGBTs trazem requintes de crueldade, como tortura, decapitação e castração de cadáver. Além disso, incontáveis vezes no dia a dia a violência psicológica se faz presente na vida dos LGBTs. São olhares, piadas, xingamentos, constrangimentos e humilhações às pessoas que pedem apenas respeito e têm, amanhã, no Dia Mundial de Combate à Homofobia, a atenção voltada para esse assunto. O pesquisador, historiador e antropólogo-doutor Luiz Mott, um dos mais conhecidos ativistas brasileiros em favor dos direitos civis dos LGBTs, diz que o suicídio de jovens é quatro vezes maior que entre heterossexuais. “Um complicador é que existem subnotificações, casos que não aparecem nas estatísticas. O preconceito surge em toda parte e precisa ser combatido. A melhor forma de fazer isso é com a educação sexual nas escolas”, diz Luiz. Leis No próximo dia 23, haverá a retomada do julgamento da criminalização da homofobia no Supremo Tribunal Federal (STF). A análise da ação foi suspensa em 21 de fevereiro, quando quatro ministros já haviam votado a favor da equiparação da homofobia ao crime de racismo. Para Luiz, essa aprovação será um grande passo rumo à conscientização pra lá de necessária no Brasil. “Hoje, pode-se ofender um gay na rua que não acontece nada com quem faz isso. Ao mesmo tempo, chamar um negro de macaco é um crime inafiançável. Precisamos que todo preconceito seja combatido”. O especialista, que foi considerado um dos gays mais poderosos do mundo em lista feita pela revista americana Wink, defende que “o grito é a arma dos oprimidos”. “Queremos direitos iguais. Nem menos, nem mais. Os discriminados devem denunciar. Não se calem!” Ele lembra que a homofobia tem raízes históricas no Brasil. “Antes, era possível prender, sequestrar os bens e queimar os homossexuais. O primeiro registro de um homossexual executado no Brasil é de 1614, no Maranhão. Um índio foi amarrado na boca de um canhão e teve seu corpo estourado. Um efeminado ameaçava o domínio dos machos sobre as mulheres e as classes inferiores”. Exemplo A mudança de gênero de Luís para Flávia a fez perder um emprego de anos e a impediu de ver a filha e de registrar boletim de ocorrência em uma delegacia de Santos sobre esse direito de visita desrespeitado. A analista administrativa Flávia Bianco tem 46 anos e começou a mudança de gênero aos 42, depois de se separar. Mas, dentro dela, a identidade feminina gritava desde os 7 anos. “Hoje, sou casada com uma psicóloga que me ajuda demais a lidar com as dificuldades de ser trans”.