(Adobe Stock) O acordo entre União Europeia e Mercosul, que entrou em vigor nesta semana, ainda que de forma provisória (precisa ser ratificado após aval do Tribunal de Justiça da União Europeia), deve beneficiar as relações comerciais entre Brasil e Alemanha, especialmente no setor industrial. O ponto central é a redução de tarifas e barreiras comerciais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O acordo prevê zerar tarifas para a maior parte dos produtos europeus ao longo do tempo (cerca de 91% no lado do Mercosul). Do lado europeu, até 95% das importações do Mercosul também terão tarifas eliminadas. Isso torna produtos alemães mais baratos e competitivos no Brasil, ampliando o espaço para exportação. Executivos de multinacionais alemãs avaliam que o tratado cria um ambiente mais previsível para negócios, incentivando tanto a expansão de exportações quanto novos investimentos no país. O Brasil, por sua dimensão de mercado e papel estratégico na América do Sul, aparece como principal destino desse movimento. “A entrada em vigor do acordo abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”, afirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que esteve em Hannover, na Alemanha na última semana. O chanceler alemão, Friedrich Merz, também celebrou o acordo. “Fico muito agradecido ao Brasil porque é um dos poucos países com quem temos esse status. Com o Brasil, temos uma parceria estratégica robusta e dinâmica e conseguimos fomentar essa parceria nesses últimos dias. Essa proximidade é mais importante do que nunca, nesses tempos de tanta mudança na ordem mundial”. O que vem por aí Foram firmados acordos que ampliam a cooperação bilateral em setores como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia, além de pesquisa oceânica e climática. Iniciativas brasileiras como o Novo PAC, a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica “oferecem novas oportunidades para investidores alemães interessados em levar inovações tecnológicas e soluções sustentáveis para o Brasil”, reforçou Lula. Hannover Messe Sob o tema “think tech”, a Hannover Messe, maior feira de tecnologia industrial do mundo foi uma grande vitrine para mostrar como a tecnologia e a indústria estão contribuindo para os desafios impostos pelo atual cenário global. O Brasil foi a segunda nação a levar mais visitantes à Hannover Messe, atrás apenas da China e seguido de Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Com um espaço de 2.700 metros quadrados, o Pavilhão Brasileiro contou com 140 expositores, desde grandes empresas até startups, institutos de pesquisa e provedores de tecnologia. As PMEs (pequenas e médias indústrias) mostraram que querem – e podem – fornecer tecnologias que mantenham o país competitivo globalmente, e também podem fazê-lo. As startups participantes do programa D4iD (Deep techs for Industry Decarbonization), projeto idealizado pela AHK São Paulo em parceria com o Cubo Itaú e executado pela Emerge Brasil, enfatizaram isso. Qualificação A qualificação é outro fator importante na produção industrial. Por conta disso, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Volkswagen firmaram, no último dia 22, parceria para formação e qualificação de profissionais alinhados às transformações industriais para a montadora no Brasil. O acordo prevê parcerias em projetos de educação profissional com foco em pesquisa em desenvolvimento (P&D). A parceria estabelece também a realização de programas educacionais voltados às competências do futuro; estímulo a investimentos em inovação, tecnologia e ambientes de aprendizagem e expansão do acesso à educação profissional.