O memorando assinado não representa compromisso contratual, mas marca o início da fase de estudos aprofundados (Michel Corvelo/Ministério do Trabalho) O governo brasileiro e a China formalizaram em 7 de julho de 2025 um memorando de entendimento para iniciar estudos técnicos da chamada Ferrovia Bioceânica, uma ambiciosa linha ferroviária que pretende ligar o litoral da Bahia ao porto de Chancay, no Peru. A Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, e o China Railway Economic and Planning Research Institute serão os responsáveis por elaborar os estudos que avaliarão a viabilidade técnica, econômica e ambiental do projeto. O trecho em estudo tem aproximadamente 3 000 a 4 400 km, integrando trechos já em construção como a FIOL (Ferrovia de Integração Oeste‑Leste), partindo de Ilhéus (BA), e a FICO (Centro-Oeste), que passa por Goiás, Mato Grosso e alcança Lucas do Rio Verde. A proposta prevê cruzar Rondônia e Acre até atingir a fronteira com o Peru, seguindo até o moderno porto de Chancay, inaugurado recentemente com aporte chinês e situado a cerca de 70 km de Lima. Trem promete mudar o jogo Durante a visita oficial à China em maio de 2025, o presidente Lula e a ministra Simone Tebet reforçaram que o projeto pode reduzir em cerca de dez dias o tempo de transporte de produtos brasileiros até a Ásia, com queda dos custos logísticos e ganho de competitividade. Segundo o secretário de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a ideia é criar um corredor que conecte toda a produção agrícola e mineral do Matopiba ao Pacífico, evitando rotas tradicionais como o Canal do Panamá. Além de agilizar o fluxo de soja, minério de ferro e outras commodities, o projeto deve impulsionar o interior do país, atraindo investimentos e fomentando novos polos industriais nas regiões afetadas. O que está definido e o que ainda depende de estudo O memorando assinado não representa compromisso contratual, mas marca o início da fase de estudos aprofundados, que deverão avaliar questões como traçado, interoperabilidade com outros modais (rodovias, portos e hidrovias), e impactos socioambientais. Importante destacar que o governo do Peru afirmou em 9 de julho que ainda não autorizou investimentos, ressalvando que a iniciativa está em fase preliminar e depende de avaliação própria por parte do país vizinho. Ainda não há prazo definido para conclusão da obra, mas estimativas preliminares apontam para um horizonte de 5 a 8 anos, dependendo da aprovação dos estudos e da agenda de investimentos. O custo total estimado varia de acordo com o trajeto final, mas valores entre US\$ 12 bilhões e US\$ 72 bilhões são mencionados em estudos recentes sobre infraestrutura transcontinental. Como acompanhar o projeto de perto? Acesse o portal gov.br e consulte as publicações do Ministério do Planejamento e Orçamento, Infra S.A. e Ministério dos Transportes. Fique atento a relatórios sobre as Rotas de Integração Sul-Americana, programa lançado em 2023 e foco estratégico da política logística nacional.