[[legacy_image_118946]] Centenas de pessoas se reuniram em Glasgow no sábado (30) para pedir aos líderes mundiais que tomem ações contra a mudança climática às vésperas da conferência climática COP-26. Muitos dos presentes caminharam dezenas ou até milhares de quilômetros para chegar ao local, dando início às manifestações que antecederam a conferência do clima da ONU na cidade escocesa. No final da tarde, a ativista sueca Greta Thunberg, de 18 anos, chegou de trem a Glasgow, tendo participado na véspera de uma ação com outros jovens ambientalistas contra o papel das instituições financeiras na crise climática. Diante da imprensa, a líder do movimento Fridays for Future preferiu não fazer declarações. “Eu finalmente cheguei a Glasgow para a COP26! Muito obrigado por esta recepção calorosa”, publicou Thunberg em suas redes sociais. Rebelião da extinçãoOs manifestantes da Espanha, Bélgica e Escócia marcharam pelo centro da cidade com slogans como “Ações agora”, “Ações, não palavras” e “Chega de combustíveis fósseis”, liderados pelo grupo Rebelião da Extinção. “Esperamos medidas mais ambiciosas, que nossos dirigentes políticos tenham consciência da urgência da situação, pois nossos filhos e nossos netos correm o risco de viver em um mundo muito mais complicado, que vai sofrer graves desordens climáticas”, afirmou Dirk Van Esbroeck, um aposentado belga de 68 anos. Pelo futuroEle e 20 outros membros do grupo Avôs pelo Clima viajaram de trem da Bélgica para Edimburgo, antes de chegarem andando a Glasgow. “Ainda há um longo caminho entre as declarações e as ações”, acrescentou o homem, que tem cinco filhos e 12 netos. Mais de 100 líderes, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, o estadunidense Joe Biden, o francês Emmanuel Macron e o indiano Narendra Modi, devem participar da cúpula, considerada crucial na luta contra as mudanças climáticas. Ativistas do clima de todo o mundo também estarão presentes. De acordo com os organizadores, até 100 mil pessoas devem comparecer a um grande comício na próxima sexta-feira. “Estamos aqui para exigir justiça climática para os países do Sul”, disse Becky Stockes, uma tradutora de 31 anos que foi a pé da Espanha. A COP-26 é “uma última chance”, disse ela, que espera “ver medidas concretas” no evento. Para Maciej Walczuk, “25 COPs já foram realizadas e o clima nunca esteve tão ruim”. O estudante de 19 anos espera que desta vez a conferência seja “diferente” e se “comprometa a agir para salvar vidas”. De acordo com a polícia escocesa, cerca de 10 mil policiais de todo o Reino Unido serão destacados diariamente durante a COP-26, representando a maior operação policial já realizada na Escócia. Comício - 100 mil pessoas são esperadas pela organização em um grande comício, na sexta-feira, para pressionar os líderes mundiais reunidos no encontro por ações concretas para reverter o aquecimento global O Brasil em Glasgow Líder da delegação brasileira, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, formalizará em documentos compromissos anunciados por Bolsonaro em foros multilaterais anteriores, mas há pouco de novo no cenário. Um deles é a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030 – originalmente apresentado em 2015 no mesmo palco climático pela ex-presidente Dilma Rousseff, esse objetivo havia sido abandonado. O outro é a neutralização das emissões de gases até 2050, prazo adotado pela maioria dos 197 países. Na prática, o governo já havia sinalizado essa antecipação do prazo de neutralidade climática em dez anos, se recebesse contribuições bilionárias.