A dois dias da eleição, senador e presidente debateram e trocaram acusações por cerca de duas horas (Fernando Frazão/Agência Brasil) No último debate antes do segundo turno da eleição presidencial, promovido na noite desta sexta-feira (23) pela TV Globo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltaram a trocar ataques, mas foram mais propositivos do que no encontro anterior, na Band. Poder aquisitivo e saúde estiveram entre os temas destacados. No primeiro bloco, Lula disse que dará continuidade às obras de infraestrutura porque será reeleito. O petista respondia à cobrança de Flávio, que citou um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre 11,5 mil obras paradas. Lula alegou que recebeu 6 mil obras paradas e o senador completou que vai “rasgar” o Brasil de ferrovias e ampliar as concessões de portos e rodovias. Lula respondeu que as iniciativas citadas pelo adversário já estão em andamento e atribuiu a seu governo o financiamento do túnel Santos-Guarujá. Lula também disse que o opositor não sabe quanto custaria o salário mínimo se não fossem os governos petistas. Segundo ele, se dependesse dos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, o piso nacional estaria em R\$ 900,00 (hoje é de R\$ 1.621,00). Em resposta, Flávio citou que o petista endividou os brasileiros por elevar os juros por conta dos gastos públicos. O senador afirmou que não vai privatizar a Caixa, o Banco do Brasil e a Petrobras, e prometeu reajustar aposentadorias conforme o salário mínimo. Flávio também disse que Lula “virou as costas” para a Região Sul, prometendo amenizar a dívida do Rio Grande do Sul. O petista atacou Flávio, afirmando que o senador não fará iniciativas pelo Nordeste por não gostar da região. Flávio disse que o governo de Jair Bolsonaro “levou água”, em referência à transposição do Rio São Francisco, e elevou o Bolsa Família para R\$ 600. Lula rebateu que foi o responsável pela transposição do rio e por construir a ferrovia Transnordestina. Flávio citou também que o SUS é um “orgulho nacional”, porém é “malgerido”. Ele se comprometeu a manter o sistema e realizar investimentos. O senador também disse que irá ajudar Santas Casas e institutos de câncer nas dívidas. Flávio respondia a uma provocação de Lula, que afirmou que o senador vai fazer um “tesouraço” no SUS. No terceiro bloco, o petista defendeu o fim das bets (casas de apostas on-line) e acusou Flávio de ser contrário à medida. A discussão foi feita no contexto do endividamento dos brasileiros. Flávio criticou o programa federal de renegociação. Em um dos momentos mais tensos do debate, Lula chamou Flávio de “miliciano” após o adversário afirmar que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos” sobre tarifa zero no transporte público. “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, reagiu o petista, que exigiu pedido de desculpas, feito pelo senador na sequência. “Se eu te ofendi, eu te peço desculpas de verdade. Não queria te ofender”. O candidato do PL também criticou o reajuste do Bolsa Família e acusou o presidente de ter se lembrado dos beneficiários apenas perto da eleição. Antes, Lula havia questionado por que Flávio chamou o programa de Bolsa Farelo. “É a falta de respeito com o povo pobre desse País”.