(Divulgação/Instituto Vladimir Herzog) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu a Ordem de Rio Branco, de forma póstuma, a Eunice Paiva. A advogada é um dos símbolos da luta contra a opressão da ditadura brasileira e pela defesa dos direitos humanos. O decreto foi publicado, nesta quarta-feira (28), no Diário Oficial da União. A história de Eunice ficou ainda mais célebre após a atriz Fernanda Torres tê-la interpretado no filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. Ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, o longa é uma adaptação do livro de mesmo nome escrito por Marcelo Rubens Paiva. Nele, o autor narra a história de sua família, centrada na luta da mãe logo após o desaparecimento do pai, o ex-deputado federal Rubens Paiva, levado por policiais em 1971, durante a ditadura militar brasileira. O corpo de Rubens Paiva jamais foi encontrado e Eunice, por anos, buscou informações sobre o que realmente ocorreu com o marido. Somente 25 anos depois o Estado brasileiro reconheceu a morte do ex-deputado. “A trajetória de Eunice Paiva é considerada exemplo de coragem na luta contra a opressão da ditadura e em favor de liberdades democráticas e dos direitos dos povos originários, causa a que também se dedicou. Seu percurso é visto como paradigma para os que buscam preservar e fazer avançar o Estado Democrático de Direito”, declarou a Presidência, em comunicado.A Ordem de Rio Branco foi instituída em 1963 para distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas, além de estimular a prática de ações e feitos dignos de menção honrosa. O nome da honraria faz referência ao patrono da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco. Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva (1929-2018) foi admitida na Ordem no grau de Comendador.