Encontro Internacional da Indústria da Construção ocorreu na Capital (Arminda Augusto) Dentro das tendências para os próximos anos no combate ao déficit habitacional no Brasil, o governo aposta em alguns caminhos que tanto passam pela construção civil como pela locação social, uma modalidade de moradia que vai além da compra de imóveis e pode ser a alternativa para ampliar a oferta de habitação no país. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Locação social pautou o painel “Locação social: alternativa de acesso à moradia digna”, que aconteceu nesta semana, durante o 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em conjunto com a 29ª edição da Feicon, no São Paulo Expo. O encontro terminou na sexta-feira (11). A locação social é uma modalidade usada em uma série de países para preencher essa lacuna dentro do mercado imobiliário e um estudo feito pela CBIC, apresentado durante o painel, trouxe experiências internacionais: na Holanda, por exemplo, mais de 60% das moradias sociais são alugadas, mas na América Latina essa alternativa é pouco utilizada. A pesquisa mostrou que o Brasil precisaria ofertar 12,9 milhões de moradias voltadas para famílias com renda de até R\$ 8 mil, ou seja, 1,286 milhão de unidades a cada ano até 2033 para amenizar a falta de habitações no país. MCMV e pré-sal Outro tema pautado durante a semana nos paineis da Enic foi a redução dos recursos do FGTS para uso do financiamento da habitação, uma preocupação do setor que vem crescendo desde o ano passado. Jader Filho, ministro das Cidades, disse acreditar na eficiência da Medida Provisória 1.291/25, publicada em março, que autoriza o uso de recursos do Fundo Social para financiar projetos de infraestrutura social, habitação popular e enfrentamento a calamidades públicas. O Fundo Social, criado pela Lei do Pré-Sal, é abastecido com recursos dos royalties do petróleo. Antes da medida provisória, o dinheiro só podia ser aplicado em programas nas áreas de educação, cultura, esporte, saúde pública, ciência e tecnologia, meio ambiente e adaptação às mudanças climáticas. O governo também aposta no aporte de R\$ 30 bilhões para a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, destinado a quem tem renda de R\$ 8 mil a R\$ 12 mil, financiando imóveis de até R\$ 500 mil. (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Entrevista: Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) "Precisamos fazer mais, e o País tem condição” Em sua fala de abertura do Enic, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, falou que o País está ‘enxugando gelo’ na redução do déficit habitacional. Essa fala o surpreendeu? A fala do presidente da República, comparando o déficit habitacional de 40 anos atrás com 2025, foi mesmo emblemática. Não tiro o esforço que todos temos feito, mas mostra que precisamos fazer mais. O país tem condição de fazer mais, com a reforma tributária, o aprendizado de todos esses anos com o Minha Casa, Minha Vida, aumento da produtividade das empresas, acho que vamos conseguir chegar a um nível bom de fornecimento de habitação para as pessoas nesse país. Vamos ver se a gente consegue realmente diminuir esse déficit. Fazendo uma conta entre 1974 e 2025, temos que a população era de 108 milhões de habitantes e passou para 212 milhões. O déficit que o presidente citou, de 7 milhões de moradias, correspondia a 6,48% da população. Se hoje são também 7 milhões de moradias em falta, o número corresponde a 3,29%, ou seja, o déficit reduziu, certo? A comparação é pelo seguinte: você tem 2,8 habitantes por residência. Então, em proporção ao número de residentes, os 7 milhões são percentualmente um pouco maior. Mas de fato é uma vitória ter crescido a população e mantido o número nominal. Para ficar fácil, se multiplicarmos por 3 pessoas por residência, temos 21 milhões de pessoas sem casa. A política de uso do FGTS para outros fins que não o de financiar a moradia continua como uma das principais preocupações do setor da construção? Na abertura do Enic, o governo falou em criar outras fontes de financiamento, como os recursos do pré-sal. É importante esse direcionamento de um recurso extra para formação de um fundo de longo prazo. O que nós pleiteamos e, pelo que percebo está bem endereçado, é a recorrência desse recurso do pré-sal, montando um novo fundo para reforçar o FGTS. Para um país que tem 7 milhões de déficit habitacional, não dá para abrir mão de um recurso. O que temos é que aumentar esse fundo, só que o FGTS tem limites. Ele depende do grau de empregabilidade, do recolhimento das empresas. Quando você entra com um recurso novo, de uma fonte que não é perene mas é longeva, é bem acertada a decisão do governo de montar esse fundo. Qual o senhor diria que é o principal temor, hoje, do setor da construção civil? Eu até não diria temor, mas preocupação com a questão da taxa de juros (Selic), para que a gente realmente possa atender as demandas com um grau de endividamento que permita a redução dessa taxa de juros, porque isso todos nós pagamos. Além disso, a questão da segurança jurídica, a informalidade... Sim, porque temos receio de não termos profissionais capacitados para abastecer o mercado. Por isso estamos junto com o governo tentando casar a formação de mão de obra que está disponível no Cadastro Único (CadÚnico) com a demanda das empresas. É uma atividade complexa, mas nós somos otimistas, senão não seríamos empresários brasileiros.