[[legacy_image_89123]] Quase um ano e meio depois do começo da pandemia, a possibilidade de trabalhar em home office, inclusive no pós-covid, ainda mantém em alta a procura por imóveis na Baixada Santista, segundo pesquisas e profissionais do setor. Segundo o diretor do Sindicato da Habitação (Secovi/SP) na região, Carlos Meschini, todo o Litoral teve mais buscas de imóveis e a tendência é que esse novo perfil de morador, vindo da Capital, perdure. “É a segunda moradia virando a primeira, por conta do home office e da qualidade de vida, com diminuição de locomoção”, afirma. O delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) na região, Carlos Ferreira, afirma que as buscas por imóveis para locação cresceram 30%, enquanto que para compra subiram 20% neste primeiro semestre, na comparação com 2019, último ano “normal” antes da pandemia. “Muitas pessoas do Interior, Capital e do ABC estão procurando imóveis para locação ou compra, já que agora o trabalho remoto veio para ficar e não há necessidade de morar próximo do trabalho”, diz ele. O corretor de imóveis Haroldo Tucci, que atua em Santos, afirma que o perfil de compradores mudou desde o começo da pandemia. Segundo Tucci, eles valorizam apartamentos maiores e confortáveis, com itens como varanda, churrasqueira e espaço gourmet. “A maioria busca por um espaço a mais para escritório. Quem vive sozinho, pega dois dormitórios. Quando a família é numerosa, prefere-se três ou mais”, afirma o corretor. Rumo ao litoral Levantamento do Zap+ mostra alta de 2,37 pontos percentuais na participação do Litoral nas buscas por imóveis no Estado, feitas no site OLX, no segundo trimestre, na comparação com igual período do ano passado. Na contramão, considerando o total de buscas por apartamentos em todo o Estado, os dados mostraram uma queda de 4,31 pontos na participação da Capital nas buscas. De acordo com o economista da DataZap+, Edivaldo Constantino, a pandemia fez as pessoas ficarem mais em casa, alterou deslocamentos e estimulou o home office. “Tudo isso se reflete no comportamento de busca por moradia”, explica. Segundo um levantamento inédito do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), associação dos cartórios de notas paulistas, oito cidades da região tiveram aumento no número de transações imobiliárias entre 2019 e 2021. Embora essas transações não sejam exclusivos do trabalho remoto, a CNB/SP diz que a possibilidade do trabalho em casa aliado à vontade, principalmente do paulistano, de viver no Litoral, puxam esses dados. Baixada avança Os dados da CNB/SP reforçam esse movimento. Em 2019, foram 59.837 transações imobiliárias na Capital, contra 58.285 em 2020 (recuo de 2,59%). Por outro lado, na Baixada foram 17.883 operações em 2019 e 18.637 em 2020, alta de 4,21%. O quadro de 2020 perdurou no primeiro semestre de 2021. Os dados da CNB/SP mostram que todas as cidades (exceto Cubatão, que não foi pesquisada) registraram aumento nas transações no primeiro semestre de 2021, na comparação com igual período de 2020. O maior aumento aconteceu em Bertioga, com 124.26%, e o segundo em Mongaguá, de 114%. Em Santos, o salto foi de 63,84%. Mas a líder em operações foi Praia Grande, com aumento de 62,08% em igual intervalo – 3.420 no primeiro semestre de 2021.