(Marcelo Camargo/ Agência Brasil) Às 14h desta quinta-feira (11) , a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento que pode definir o futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados no enquadramento do chamado núcleo 1 da suposta trama golpista pós-eleições de 2022. O olhar está voltado para a ministra Cármen Lúcia, cuja posição será decisiva. Seu voto poderá empatar o placar ou consolidar uma maioria pela condenação. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que já foi votado até aqui O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pela condenação de todos os réus nos crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro Flávio Dino seguiu entendimento semelhante, embora tenha admitido que alguns réus, como Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e Paulo Sérgio Nogueira, merecem penas mais brandas, considerando grau de envolvimento. Diferente caminho traçou Luiz Fux: ele absolveu Bolsonaro e outros cinco réus de vários crimes, mantendo condenações apenas de Mauro Cid e Walter Braga Netto, por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito. Com isso, o placar atual é de 2 a 1 pela condenação nos cinco crimes apresentados pela PGR, para Bolsonaro. Qual é o papel de Cármen Lúcia? Ela será a quarta ministra a votar entre os cinco da Turma. Seu voto pode ser o de desempate ou de alinhamento com Moraes e Dino (formando maioria pela condenação) ou uma alternativa que dilua algum dos argumentos acusatórios. A expectativa de fontes próximas ao STF é de que ela acompanhe, em linhas gerais, os votos que pedem condenação — embora possa modular penas ou fazer observações críticas quanto às provas e imputações. Principais pontos de tensão e expectativa Provas consideradas decisivas A PGR e relator baseiam a acusação em documentos, vídeos, delações, supostas “minutas do golpe” e atos executórios. Fux, em contrapartida, rejeitou algumas provas como insuficientes, alegando que não há comprovação efetiva de que Bolsonaro teve participação direta ou ciência integral de certos elementos. Crimes em debate Entre os crimes que podem pesar no voto de Cármen Lúcia estão: organização criminosa armada; golpe de Estado; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; dano qualificado ao patrimônio; deterioração de patrimônio tombado. Dosimetria das penas Se houver condenações, começará o debate sobre quantos anos os réus receberão e quais serão os agravantes ou atenuantes – o que pode depender bastante do entendimento de Cármen Lúcia sobre participação, grau de mando, provas específicas. Reações institucionais e políticas O julgamento já provoca forte repercussão política — instituições internacionais, partidos, sociedade civil acompanham de perto. Dependendo do resultado, poderá haver recursos, possíveis embargos, além do impacto na imagem de Bolsonaro. Por que este voto altera o rumo do julgamento Porque ela tem histórico de posições firmes em casos de direitos democráticos e já participou de decisões importantes, como no TSE em 2023, quando foi voto decisivo para declarar inelegível Bolsonaro. O julgamento deste núcleo 1 é considerado o mais central para definir se haverá responsabilização penal significativa, não apenas simbólica. Possíveis consequências imediatas Se houver condenação, Bolsonaro poderá recorrer ao plenário do STF ou a outros recursos, atrasando a execução final da decisão. A repercussão política será intensa, podendo alimentar tensões entre Poderes, partidos de oposição, e setores mais críticos ao governo. Também poderá gerar embate público sobre provas, provas que foram rejeitadas ou aceitas, e interpretação constitucional — sobretudo pela população que acompanha o julgamento ao vivo ou pelas mídias sociais.