Foram identificadas discrepâncias que resultaram em demissões sem justa causa ou advertências para alguns casos (Divulgação) O Itaú Unibanco promoveu uma série de demissões, atingindo aproximadamente mil colaboradores que atuavam em regime híbrido ou integralmente remoto. A justificativa: divergências entre o registro de jornada e os níveis de atividade registrados nos sistemas corporativos. Monitoramento e desligamentos Segundo informações divulgadas, o banco monitora a produtividade com base em indicadores como número de cliques, abas abertas, uso de memória, abertura de chamados, além da inclusão de tarefas nos sistemas internos . Ao confrontar esses dados com o registro formal de ponto eletrônico, foram identificadas discrepâncias que resultaram em demissões sem justa causa ou advertências para alguns casos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em nota oficial, o Itaú afirmou que os desligamentos foram fruto de “uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada” e que “foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco”. Reação do Sindicato e dos funcionários O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região repudia veementemente os desligamentos, ressaltando que ocorreram sem diálogo prévio ou advertências — o que consideram inadmissível. Em nota, o diretor sindical Maikon Azzi criticou o método de avaliação da produtividade, apontando que “não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, possíveis falhas técnicas, contextos de saúde, sobrecarga, ou mesmo a própria organização do trabalho pelas equipes”. Alguns colaboradores demitidos afirmam que suas avaliações internas eram positivas e, em alguns casos, até haviam recebido promoções recentes. Eles alegam ainda que o banco não apresentou os dados utilizados como base para os desligamentos. Lucros bilionários e críticas à gestão As demissões ocorrem em um momento de forte desempenho financeiro do banco. Em agosto, o Itaú anunciou lucro gerencial de R\$ 11,5 bilhões no segundo trimestre de 2025 — alta de 14,3% em relação ao mesmo período de 2024. Para o sindicato, enquanto a instituição acumula resultados bilionários, a justificativa de “produtividade” não pode ser usada para dispensar trabalhadores. A avaliação é de que os ganhos proporcionados pela digitalização deveriam servir para melhorar as condições de trabalho, e não para promover cortes ou precarizar empregos. O sindicato também lamenta a falta de estratégia de realocação ou diálogo com os funcionários afetados e promete intensificar protestos e cobranças por responsabilidade social e abertura de diálogo com o Itaú