Com mais de 30 anos de experiência, o economista André Loes já trabalhou em algumas das principais instituições financeiras do mercado (Divulgação) Com mais de 30 anos de experiência, o economista André Loes já trabalhou em algumas das principais instituições financeiras do mercado e é uma referência no segmento. Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem mestrado pela mesma universidade e doutorado pela Universidade de Paris. Em entrevista para A Tribuna, Loes fala sobre os riscos e oportunidades da previdência privada, o impacto da variação do dólar em investimentos, a volatilidade que envolve as criptomoedas e opções mais conservadoras à disposição no mercado. Como está o segmento de previdência privada no Brasil diante do cenário atual de juros altos, alta do dólar e mudanças na tributação de alguns investimentos? O segmento de previdência se caracteriza por investimentos de longo prazo e volatilidade limitada, tendo como objetivo combinar a rentabilização dos investimentos dos participantes com preservação de seu capital. Afinal de contas, trata-se da aposentadoria do investidor. Nesse sentido, flutuações de curto prazo nos preços dos ativos tendem a afetar de maneira limitada as carteiras dos gestores de previdência. A previdência privada continua sendo uma boa alternativa para investidores de longo prazo? A previdência é a melhor opção a quem quer investir no longo prazo. A maior estabilidade do passivo dos fundos permite que nossos gestores possam tomar posições que consideram as mais adequadas, com menos limitações relacionadas à liquidez imediata dos ativos, já que conhecemos o comportamento esperado das retiradas dos investidores, especialmente no caso dos fundos de previdência fechada. O tratamento fiscal dos produtos de previdência constitui também uma vantagem significativa na comparação com outras classes de ativos e investimentos, já que as aplicações em previdência podem ser abatidas em até 12% da renda anual bruta no Imposto de Renda. Como a variação do dólar impacta os investimentos no Brasil? No caso de alta, que é o que tem ocorrido nos últimos anos, são favorecidos os ativos atrelados à própria moeda norte-americana ou à inflação – já que o repasse cambial provoca uma elevação temporária da inflação. Empresas exportadoras listadas na bolsa também são favorecidas. Já ativos de renda fixa prefixados são desfavorecidos, pois a alta temporária da inflação reduz seu retorno real. Diante do cenário econômico, os investidores devem considerar investir em dólar como forma de proteção patrimonial? Caso o investidor tenha dívidas em dólar ou atreladas à moeda, pode ser interessante fazer o casamento de posições ativas e passivas. Se não for o caso, uma posição em dólar é sempre arriscada, pois esse ativo apresenta uma volatilidade muito alta. Talvez uma maneira mais segura de lucrar com a alta do dólar seja com títulos indexados à inflação, dado que a desvalorização do real levará a um aumento da inflação. Com a manutenção dos juros elevados, quais são hoje os investimentos conservadores mais atraentes no Brasil? Fundos ou ativos que sejam remunerados pela variação da taxa Selic ou pela variação da inflação mais um prêmio são provavelmente os mais atrativos. O Tesouro Direto continua sendo a melhor opção para quem busca segurança e rentabilidade? É uma das boas opções para posicionamento. Nesse caso, títulos indexados à Selic ou ao IPCA. Há um movimento crescente de brasileiros investindo nos EUA para reduzir a exposição à instabilidade econômica do Brasil. Vale a pena mirar o exterior? A diversificação do portfólio de investimento, se bem feita, tende a obter melhor relação risco-retorno da carteira de investimentos. A internacionalização de parte da carteira é uma forma eficiente de diversificar o risco, pois os retornos e os riscos em uma outra economia tendem a ser diferentes, e muitas vezes complementam ou protegem (hedge) as variações que podemos ter nos ativos brasileiros. Nesse sentido, internacionalizar parte dos investimentos pode ser uma boa ideia. Quais são os principais riscos de investir no exterior? O mais importante deles é o risco cambial. Se a taxa de câmbio cair, o valor de seu investimento quando traduzido em reais cairá também, independentemente de qual tenha sido o desempenho do investimento quando medido em dólares (ou outra moeda estrangeira). As criptomoedas devem fazer parte da carteira de qualquer investidor? Elas apresentam volatilidade muito alta. Somente pessoas com perfil mais agressivo e tolerante a risco deveriam considerar alocar algum valor em criptomoedas. E esse perfil de investidor é raro. Mesmo para esse tipo de investidor, quaisquer recursos que sejam aplicados em cripto devem ficar investidos por um longo tempo para evitar ser obrigado a resgatar em um período de baixa significativa do preço, portanto com grande perda.