Entre janeiro e junho, foram registrados 4,3 milhões de negativas (Sílvio Luiz/Arquivo AT) O número de benefícios negados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) disparou no primeiro semestre de 2026 e ultrapassou, pela primeira vez no período, o total de benefícios concedidos. Entre janeiro e junho, foram registrados 4,3 milhões de indeferimentos, alta de aproximadamente 70% em relação aos seis primeiros meses de 2025. No mesmo período, o INSS concedeu 4,24 milhões de benefícios. Segundo os especialistas, o avanço das negativas ocorre em um momento de redução da fila de pedidos em análise. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados do Boletim Estatístico da Previdência Social mostram que os indeferimentos passaram de aproximadamente 2,54 milhões no primeiro semestre de 2025 para 4,32 milhões no mesmo período deste ano. As concessões, por outro lado, cresceram em ritmo bem menor, de 3,74 milhões para 4,24 milhões. Para o advogado João Badari, especialista em Direito Previdenciário, o aumento das negativas merece atenção porque uma decisão administrativa desfavorável pode representar impacto direto na renda do segurado. “Há pedidos que realmente não atendem aos requisitos legais e, nesses casos, o indeferimento é legítimo. O problema é quando uma decisão negativa decorre de uma análise incompleta, de documentação que não foi considerada ou de informações incorretas no cadastro”. Segundo Badari, o crescimento das negativas não pode ser interpretado isoladamente como prova de erro do INSS. Os pedidos podem ser indeferidos por diferentes razões, como falta de documentação, ausência de qualidade de segurado, insuficiência de tempo de contribuição, inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), entre outros. “O dado que precisa ser observado é o motivo dessas negativas. O aumento é expressivo e justifica uma análise”. Benefícios por incapacidade A concentração das decisões desfavoráveis nos benefícios por incapacidade é um dos principais pontos de atenção. Dos 4,32 milhões de indeferimentos registrados até junho, cerca de e 2,76 milhões estavam relacionados a benefícios dessa natureza. De janeiro a julho deste ano, 50,8% dos pedidos de benefícios como auxílio-doença, Benefício de Prestação Continuada (BPC) foram recusados. No mesmo período do ano passado, a taxa de indeferimento ficou em 41%, a menor desde 2015 para o período. O auxílio-doença é um dos destaques nas rejeições, com metade dos pedidos indeferida de janeiro a julho, ante 31% no mesmo período do ano passado. O benefício representou 40% das solicitações rejeitadas. O BPC também está no topo na lista de indeferimentos. Para pessoas com deficiência, a recusa passou de 65% para 74% na comparação entre janeiro e julho do ano passado. Para idosos, a taxa de rejeição subiu de 31% para 45%. Não desistir Para o advogado Ruslan Stuchi esses casos exigem uma análise particularmente cuidadosa porque o segurado pode estar afastado do trabalho e sem outra fonte de renda. “Não basta verificar a existência de uma doença. É necessário analisar se aquela condição efetivamente impede o segurado de exercer sua atividade profissional”. Stuchi chama atenção para problemas documentais que podem contribuir para uma decisão negativa. “É fundamental conferir o CNIS, os vínculos empregatícios, os períodos de contribuição e a documentação médica.” O advogado ressalta que o segurado não deve interpretar o indeferimento como uma confirmação definitiva de que não possui direito ao benefício. “É preciso verificar os fundamentos utilizados pelo INSS e identificar se houve algum erro, se faltou documentação ou se existe alguma informação que precisa ser corrigida”. Fila reduz, mas indeferimentos aumentam O aumento dos indeferimentos ocorre ao mesmo tempo em que o INSS reduz a fila de requerimentos, que caiu para cerca de 1,28 milhão em agosto, ante mais de 3 milhões no início do ano. Especialistas, porém, alertam que a redução do estoque não deve ser analisada apenas pela quantidade de processos encerrados, já que decisões negativas também retiram pedidos da fila. Para eles, é necessário avaliar se os benefícios estão sendo analisados corretamente e se as respostas dadas aos segurados são adequadas. Segundo os advogados, parte dos indeferimentos pode gerar novos pedidos administrativos ou ações judiciais. Por isso, diante de uma negativa, o segurado deve consultar o processo no Meu INSS, identificar o motivo da decisão e verificar os documentos considerados pela autarquia. A análise é importante para saber se houve falta de documentação, inconsistência de informações ou outro problema que possa ser corrigido. Conforme a situação, pode ser necessário corrigir dados no CNIS, apresentar documentos complementares, recorrer administrativamente ou fazer um novo requerimento. Os especialistas recomendam não repetir o pedido sem antes entender a causa da negativa, pois o problema pode permanecer e levar a uma nova decisão desfavorável. Mais informações www.previdenciatotal.com.br.