Entre os principais problemas enfrentados pelos aposentados e pensionistas estão a necessidade de continuar trabalhando para complementar renda (FreePik) As recentes mudanças no sistema previdenciário têm servido como alerta para os trabalhadores sobre a importância do planejamento financeiro de longo prazo para alcançar o sonhado descanso. Na visão de especialistas em Direito Previdenciário, o brasileiro, em geral, ainda não cultiva o hábito de se preparar para a aposentadoria e isso pode custar caro na velhice. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os principais problemas enfrentados pelos aposentados e pensionistas estão a necessidade de continuar trabalhando para complementar a renda, a queda no padrão de vida e até dificuldades em manter gastos básicos com alimentação e saúde. “Nossos idosos vivem mais, mas as aposentadorias do regime público não acompanham esse novo cenário. Para manter uma vida digna, é necessário complementar a renda”, alerta o advogado Celso Joaquim Jorgetti, da Advocacia Jorgetti. O especialista alerta que a cultura do planejamento é praticamente inexistente no País. Muitos brasileiros admitem não guardar dinheiro para o futuro, seja por falta de recursos no fim do mês, seja por descrença de que a poupança valha a pena. A preocupação com o futuro ainda é pequena durante a vida profissional, na visão do advogado Ruslan Stuchi. “No Brasil, as pessoas só pensam na aposentadoria quando param de trabalhar e aí percebem que o valor é insuficiente. Por isso, muitos idosos voltam ao mercado, porque os gastos aumentam, especialmente com saúde”. Stuchi destaca que é importante um planejamento de longo prazo. “Quanto mais cedo começar, melhor. O dinheiro no tempo vale mais, e qualquer tipo de planejamento com antecedência gera resultados mais consistentes. O trabalhador também precisa estar atento a todas as mudanças nas regras da Previdência e às oportunidades para construir uma aposentadoria mais tranquila”, alerta. Jorgetti recomenda que o hábito de guardar ao menos 10% da renda mensal seja incorporado o quanto antes. A combinação entre o benefício do INSS e uma reserva própria pode garantir estabilidade. “Quanto mais tempo o trabalhador tiver para contribuir, menor será o valor mensal que precisará poupar”, ressalta. Regras do INSS estão cada vez mais exigentes O próprio acesso à aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem se tornado um desafio crescente. A complexidade das regras, as frequentes mudanças legislativas e a necessidade de comprovação detalhada do tempo de contribuição acabam gerando insegurança e dificuldades para o trabalhador. Erros em cadastros, vínculos não reconhecidos e períodos sem contribuição formal são obstáculos comuns que podem atrasar ou até impedir a concessão do benefício. Outro entrave relevante, segundo o advogado Ruslan Stuchi, é o tempo de análise dos pedidos e a judicialização de muitos casos. “Não raramente, segurados precisam recorrer à Justiça para garantir direitos básicos, o que prolonga ainda mais o processo e aumenta a sensação de incerteza. Para trabalhadores informais ou com histórico contributivo irregular, a situação é ainda mais delicada, exigindo planejamento antecipado e, muitas vezes, orientação especializada”. A instabilidade econômica e o desemprego também são obstáculos ao planejamento. Mesmo quem tenta poupar pode ser forçado a interromper esse esforço diante de emergências financeiras. Para se aposentar por idade, mulheres precisam ter no mínimo 62 anos, enquanto os homens devem ter 65 anos. Há ainda as regras de transição com pedágios: o de 50%, para quem estava a até dois anos da aposentadoria em 2019, e o de 100%, que exige o dobro do tempo faltante à época da reforma. Professores têm regras específicas, com exigência de idade e tempo reduzidos. O cálculo do benefício parte da média de todas as contribuições desde 1994, com acréscimos a partir de 60%, conforme o tempo adicional de contribuição. ALTERNATIVAS Previdência privada Para os especialistas, a previdência privada é um bom complemento, mas não um substituto. “Ela deve funcionar junto à previdência pública. Se a aposentadoria do INSS for suficiente, talvez não seja necessário buscar a privada. Mas, na maioria dos casos, ela ajuda a fechar as contas”, diz o advogado Ruslan Stuchi. A previdência privada também pode garantir vantagens tributárias. Quem declara Imposto de Renda pelo formulário completo deve optar pela modalidade PBGL, enquanto a VGBL é para quem faz o modelo simplificado. Diversificação Entre os cuidados, está o comprometimento com o próprio futuro. “A diversificação é o ponto forte do investidor moderno”, diz o advogado Celso Joaquim Jorgetti. Para diversificar, basta dividir seus recursos entre vários tipos de investimentos, como renda fixa e variável (veja opções a seguir). Se uma modalidade desvalorizar, a outra poderá compensar a perda. Além disso, a parte mais conservadora (renda fixa), que deve compreender a maior parte dos recursos, tende a proteger o capital em caso de perdas com a variável. Renda fixa e variável O segredo está em estudar, buscar conhecimento e distribuir os recursos entre renda fixa (Tesouro Direto, caderneta de poupança, CDB e LCI, por exemplo) e variável (ações e fundos imobiliários, e outros mais arriscados, como ouro e criptomoedas), sempre com foco em estabilidade e rendimento. Fundos Há ainda a possibilidade de investir em fundos, principalmente quem não tem habilidade ou conhecimento para escolher ativos específicos, como ações. Também dá para diversificar com fundos, investindo nos especializados em renda fixa ou ações. Autocontrole Entretanto, não adianta iniciar um plano de investimentos para aposentadoria e sacar para fazer uma viagem. “O planejamento vai por água abaixo”, conclui o advogado Celso Jorgetti. Mais informações www.previdenciatotal.com.br