Setores de ponta já operam com tecnologia de nível internacional, enquanto pequenas empresas ainda enfrentam desafios (AdobeStock) Em agosto do ano passado, o Governo Federal lançou uma linha de crédito de R\$ 12 bilhões, operada pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para incentivar a modernização da indústria com tecnologias 4.0. O programa financia equipamentos com recursos como robótica, inteligência artificial, computação em nuvem, sensores, comunicação entre máquinas e internet das coisas. A medida faz parte do Plano Mais Produção, ligado à política Nova Indústria Brasil (NIB), voltada à inovação e digitalização do setor industrial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma revolução em curso. Sem armas, mas que vai influir diretamente na vida das pessoas. A chamada Indústria 4.0, uma síntese da chamada “Quarta Revolução Industrial”. Pois a indústria brasileira já entendeu qual espaço deve ocupar nessa transformação. “O conceito central da indústria 4.0 é a conectividade: conectar máquinas, sistemas e dados em tempo real. A ideia é fazer com que equipamentos do chão de fábrica conversem com áreas como vendas, estoque e logística, que antes funcionavam de forma isolada. Hoje, o avanço acontece principalmente com o uso de inteligência artificial, sensores de internet das coisas e computação em nuvem para prever falhas, evitar desperdícios e integrar o mundo físico ao digital”, explica o professor do curso de Engenharia de Computação da Unisanta Sergio Schina de Andrade. Em termos governamentais, foi publicado em abril uma portaria do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), que estabelece um padrão nacional para avaliar o nível de digitalização das organizações produtivas, o chamado Programa para Classificação da Maturidade da Indústria 4.0. Dessa forma, investimentos destinados à elevação da aptidão da unidade fabril para a Indústria 4.0 podem ser considerados investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), desde que observada metodologia reconhecida com esse intuito. Duas realidades Para ele, o Brasil vive duas realidades industriais. De um lado, há setores de excelência, como agronegócio, aeronáutica e energia, que já operam com tecnologias avançadas, usando satélites, máquinas autônomas e redes inteligentes em nível comparável ao de países desenvolvidos. Do outro, a maior parte das pequenas e médias indústrias ainda trabalha com processos pouco integrados, muitas vezes dependentes de planilhas e controles manuais, o que seria como a “indústria 2.5”. “Podemos falar que o Brasil está em uma corrida contra o tempo. Porque, ou digitalizamos a nossa base industrial agora, ou perdemos competitividade global, porque o mundo não está parando”, alerta. O especialista, que também é gerente do laboratório de fabricação digital da instituição, entende que o Governo Federal tem feito esforços importantes, junto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Eles ampliaram linhas de crédito e programas voltados à inovação e transformação digital, com apoio também de instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), especialmente para pequenas e médias empresas”, pontua. Ele destaca ainda que uma das estratégias mais importantes tem sido o chamado “retrofit inteligente”, que permite modernizar máquinas antigas com sensores e tecnologias de baixo custo, sem necessidade de substituir por equipamentos caros. “Outro desafio é a formação de mão de obra qualificada, já que a indústria atual exige profissionais com conhecimentos em mecânica, programação, análise de dados e cibersegurança. O principal desafio agora é fazer com que o crédito e os investimentos anunciados cheguem efetivamente às pequenas empresas”, emenda. “O Brasil, ao investir realmente nos pequenos, eles se tornarão médios e, posteriormente, grandes. Com isso, o Brasil só tem a crescer”, finaliza.