Segundo o Ministério da Saúde, milhões de pessoas convivem com problemas na tireoide sem saber (Divulgação / Freepik / Reprodução) Quem convive com hipotireoidismo sabe que o tratamento vai muito além do uso diário de medicamentos. A alimentação tem papel fundamental no controle da doença e pode tanto contribuir para o equilíbrio hormonal quanto dificultar os resultados esperados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Isso porque a tireoide depende de nutrientes específicos para funcionar corretamente, como iodo e selênio. Quando a dieta é desequilibrada ou inclui alimentos que interferem nesse processo, o organismo pode apresentar piora de sintomas como cansaço, ganho de peso e sensibilidade ao frio, mesmo com o uso correto da medicação. Além disso, alguns alimentos comuns no dia a dia podem prejudicar a absorção da levotiroxina, principal remédio indicado para o tratamento do hipotireoidismo. Por isso, entender o que evitar, e como consumir determinados itens, é essencial para manter a doença sob controle. Alimentação e tireoide: o que dizem os estudos A relação entre dieta e funcionamento da tireoide já é comprovada cientificamente. Um estudo publicado na revista científica Nutrients, com base em dados de mais de 8,3 mil adultos dos Estados Unidos, identificou que padrões alimentares ricos em alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras estão associados a maior risco de hipotireoidismo. Por outro lado, dietas equilibradas, com presença de peixes, vegetais, oleaginosas e proteínas magras, mostraram efeito protetor para a saúde da tireoide. Alimentos que exigem atenção Embora não seja necessário cortar totalmente alguns alimentos da rotina, especialistas orientam cautela na forma e no momento do consumo. Veja os principais: Soja e derivados Produtos como tofu, leite de soja e edamame podem interferir na absorção da levotiroxina. A recomendação é manter um intervalo de pelo menos quatro horas entre o consumo desses alimentos e a medicação. Vegetais crucíferos crus Brócolis, couve-flor e repolho contêm substâncias que podem dificultar a absorção de iodo pela tireoide quando consumidos crus. O cozimento reduz significativamente esse efeito. Alimentos ultraprocessados Embutidos, frituras e doces industrializados favorecem processos inflamatórios e o ganho de peso, agravando sintomas do hipotireoidismo. Peixes com alto teor de mercúrio Espécies como atum, cação e peixe-espada podem prejudicar o funcionamento da tireoide. A preferência deve ser por opções como salmão, sardinha e truta. Glúten Em pessoas com tireoidite de Hashimoto, forma autoimune da doença, o glúten pode intensificar processos inflamatórios, exigindo avaliação individualizada. Nutrientes aliados da tireoide Se por um lado alguns alimentos exigem cautela, por outro, incluir nutrientes específicos na dieta pode ajudar no funcionamento adequado da tireoide. Entre os principais estão: Iodo: essencial para a produção hormonal Selênio: atua na proteção e regulação da tireoide Zinco: importante para o metabolismo hormonal Ômega-3: ajuda a reduzir inflamações Esses nutrientes podem ser encontrados em alimentos como peixes, castanhas, ovos, sementes e vegetais variados. Pequenas mudanças, grandes impactos Especialistas reforçam que ajustes simples na alimentação já fazem diferença significativa no controle da doença. Cozinhar vegetais, evitar ultraprocessados e respeitar o intervalo entre medicação e certos alimentos são medidas práticas que ajudam a melhorar a resposta do organismo ao tratamento. Apesar disso, é importante lembrar que a alimentação não substitui o acompanhamento médico. O ideal é que mudanças na dieta sejam feitas com orientação profissional, garantindo equilíbrio nutricional e segurança no tratamento.