Matéria-prima de suma importância para a indústria alimentícia, o trigo vive um momento delicado. No cenário internacional, o conflito no Irã elevou o preço do petróleo. Além disso, houve alta no preço do próprio trigo, tanto no Brasil quanto no exterior, e do custo com insumos, embalagens e seguros. Tudo isso acende um alerta para o setor. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Em termos de abastecimento, não há problema, porque há trigo em excesso no mundo e nós temos os fornecedores tradicionais. A questão que surgiu na guerra e as consequências disso sobre todos os países, inclusive o Brasil, é em relação ao custo para os moinhos que importam o trigo”, afirma o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa. Ele destaca o aumento do custo do seguro e do frete dos navios e dos caminhões dentro do Brasil por causa do preço do diesel. “Também teve um acréscimo no preço dos aditivos e também das embalagens – este, de 25% – além de uma variação do preço no mercado internacional e no mercado interno”. O executivo reforça que no mercado internacional, especialmente a Argentina, o preço do trigo subiu de 4% a 5% nas últimas semanas. “Há uma oscilação grande no mercado internacional. Não por causa da guerra, mas por causa de condições climáticas nos Estados Unidos e em outros países. A Argentina está com uma produção muito boa, 25 milhões de toneladas, mas a qualidade é baixa. Então, o Brasil vai ter que importar esse ano com um milhão, um milhão e meio de toneladas a mais para compensar a perda da qualidade do trigo argentino, o que afeta a produção do pão, e das massas”. Barbosa salienta que cada moinho vai ter essa própria estratégia. “Nós não entramos nessa questão, mas é muito provável que os moinhos vão ter que repassar uma parte desses custos para o preço da farinha”. Imposto Segundo ele, esse quadro negativo se soma a fatores internos que agravam o ambiente de negócios. A criação de alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o trigo importado e ao reduzir benefícios fiscais, elevou a carga tributária de itens essenciais, como a farinha de trigo. “O trigo importado nunca teve imposto, e agora tem esse tributo. Isso significa um aumento do custo para os moinhos, que estão racionalizando, fazendo o possível para mitigar essa consequência do aumento dos custos”, explica. Rubens Barbosa conta que a Abitrigo já impetrou com mandado de segurança contra o imposto. “Não tem uma resposta ainda do judiciário. Não adianta a gente conversar porque já está feito”.