Segundo as autoridades, o crime estava sendo articulado por uma organização criminosa (Tania Rêgo/Agência Brasil) A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, realizou na manhã deste domingo de Páscoa (20) uma operação que frustrou o plano de assassinato de um morador de rua. Segundo as autoridades, o crime estava sendo articulado por uma organização criminosa que pretendia transmitir o ato ao vivo pela internet. Três suspeitos foram detidos em bairros das zonas norte e oeste da capital, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), após o cumprimento de mandados de prisão. De acordo com a investigação, os três presos são jovens e faziam parte de um grupo que atuava em uma comunidade criminosa virtual hospedada na plataforma Discord. Além de planejar o homicídio como forma de conteúdo pago, o grupo já era monitorado por divulgar e praticar atos de extrema violência, incluindo maus-tratos a animais, racismo, estupro virtual, indução à automutilação e incitação ao crime. A Polícia Civil revelou que o grupo também promovia ataques digitais com discursos de ódio, voltados especialmente contra negros, mulheres e adolescentes. Um dos detidos mantinha uma imagem pública de ativista ambiental e defensor dos animais, participando inclusive de eventos internacionais da área, o que contrasta com o comportamento revelado nas redes. Segundo o Ministério da Justiça, ele e os outros dois investigados eram considerados líderes da comunidade extremista virtual, envolvida com ideologias radicais e práticas de crueldade. A operação foi batizada de Desfaçatez, numa referência à contradição entre a imagem pública dos suspeitos e sua atuação clandestina marcada por violência e intolerância.